Domingo, 19 de julho de 2026
Por levar os países-membro a almejar maior protagonismo e independência nos processos decisórios e a buscar maior honestidade e pertinência objetiva no seu comportamento, o amadurecimento dos organismos internacionais criados pelos Estados Unidos (ou sob a sua inspiração) no pós Guerra Mundial incomoda a Casa Branca.
Com efeito, com o passar do tempo, os organismos internacionais criados por iniciativa (ou por inspiração) dos Estados Unidos ganharam vida própria e fugiram ao seu controle, deixando de funcionar como a rede idealizada para impor o pensamento e a vontade de Washington aos países-membro e para servir de baliza comportamental para os demais [demais países].
Esta situação fica clara, por exemplo, nas votações favoráveis a Cuba tomadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas e na ordem de prisão determinada contra Benjamim Netanyahu pelo Tribunal Penal Internacional (do qual os Estados Unidos não são signatários).
Não ocorre sem razão, portanto, a surda campanha que os Estados Unidos movem contra a ONU, boicotando o seu funcionamento, descumprindo as suas decisões, se opondo a medidas capazes de aperfeiçoa-la, enfraquecendo as suas agências e, mesmo, tentando criar iniciativas paralelas a ela (como foi o caso do fracassado ‘Conselho da Paz’ para Gaza).
Nos dias correntes – sob a absurda alegação de que, “fazendo uso de estatutos, tratados e a força do chamado direito internacional, o Tribunal Penal Internacional (TPI) e seus aliados estão travando uma guerra contra o nosso país” -, o secretário de Estado Marco Rubio lançou uma campanha para extingui-lo.
Pode parecer inacreditável, mas, desejando completa impunidade aos estadunidenses e citando a possibilidade de processos contra seus concidadãos (ele citou expressamente os agentes da fronteira, os brutamontes do ICE e os militares em ação no exterior), Marco Rubio afirma que “o TPI ameaça todos os aspectos do sistema político e jurídico dos Estados Unidos”.
Em recente artigo publicado no ‘Wall Street Journal’, saindo na defesa de soldados estadunidenses processados por cometer tortura no Afeganistão, Marco Rubio afirmou claramente que, “usando todos os instrumentos que tem à disposição e trabalhando com seus aliados, o governo dos Estados Unidos vai desmantelar o Tribunal Penal Internacional”.
Aliás, assim como fez para tentar livrar os golpistas brasileiros do julgamento, o governo dos Estados Unidos anunciou uma série de sanções contra o TPI, como a revogação de vistos de funcionários e pressão contra os países que dele fazem parte.
Um absurdo!!!
É por coisas como estas que muita gente dá razão a quem se refere ao governo dos Estados Unidos como o ‘Grande Satã’.
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