3ª feira, 25 de agosto de 2026
Durante mandato exercido na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, talvez como uma espécie de treinamento para voos mais largos, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro avançou sobre o salário do pessoal que trabalhava no seu gabinete, celebrizando a ‘rachadinha’ pela qual ficou conhecido.
Pois bem.
A imoralidade chegou ao conhecimento público, ganhou força e terminou por chamar a atenção da Polícia Federal (PF), a qual, por dever de ofício, passou a investigar (investigar a ‘rachadinha’). Antes que o caso começasse a exalar o inevitável odor das coisas podres, o então presidente da república Jair Bolsonaro interviu para blindar o filho e, através do recém nomeado ministro da justiça André Mendonça, mandou protegê-lo e (desmoralizada a independência da PF) a investigação abortou (este episódio foi publicizado pelo próprio Jair Bolsonaro na famosa reunião ministerial de 22 de abril de 2020, quando, alto e bom som, disse que “não deixaria ninguém foder o seu filho”).
O tempo passou e, por estes dias, em nítida prova de gratidão, o agora ministro do STF André Mendonça (indicado por Jair Bolsonaro em reconhecimento pela proteção dada a seus filhos meliantes), ao tempo que mantém a proteção ao Flávio Bolsonaro (o qual, diga-se de passagem, cumprido aquilo determinado pelo sangue que corre em suas veias, acrescentou aos seus ‘rolos’, o envolvimento com o caso Master e com Daniel Vorcaro), [André Mendonça] tem contribuído para a criação de uma narrativa negativa contra Fábio Luís da Silva, filho do presidente Lula, referido pelo PIG (partido da mídia golpista, liderado pelas famílias Marinho, Mesquita e Frias) como ‘Lulinha’.
Surge, então, mais uma grande diferença entre Lula e Bolsonaro: ao tempo que Jair ameaçou as autoridades e mandou blindar o filho que roubava percentual dos salários dos trabalhadores do seu gabinete, de sua parte, cumprindo uma das suas promessas de campanha, Lula garantiu a completa independência da Polícia Federal e dos órgãos de controle, deixando-os atuar livremente, pois “todos estão abaixo da lei”.
A ironia da situação é que, como se fosse uma vestal e não tivesse pecados mortais encobertos pela blindagem recebida do ministro André Mendonça, Flávio atribui a Fábio as falhas que ele mesmo sempre praticou na vida.
Dizem que, se a PF não tivesse sido impedida da trabalhar pelo então ministro da justiça André Mendonça, ao invés de senador e candidato a presidência da republica, hoje Flavio Bolsonaro seria presidiário, tendo a companhia dos comparsas milicianos já enjaulados.
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