Tem gente que não sabe, mas, como bem disse ‘Os Titãs’ na composição de Antonio Carlos Liberalli Bellotto, apesar de as autoridades dizerem “que ela existe pra ajudar”, a Polícia só serve “para quem precisa de polícia”.
A mensagem é clara: nem tudo se resolve com polícia, especialmente se o método por ela adotado tiver a violência como base.
Lembro da segurança que imperava no camarotes carnavalescos do Clube de Engenharia de Pernambuco garantidos pelo mestre Duvalle e pela equipe parruda recrutada em academias de capoeira sob contratos que previam a redução de 15% na remuneração em caso de haver briga e, em compensação, uma gratificação de 30% se não houvesse altercação (só a presença física dos guarda-roupas da equipe do mestre Duvalle era suficiente para dissuadir os eventuais valentões).
Pois bem.
Neste tempos de violência, a polícia militar de Pernambuco (PM-PE) resolveu caprichar – na esteira de trabalhos marcados pela presença da governadora Raquel Lyra, do comandante-geral coronel Ivanildo Torres e do secretário de Defesa Social Alessandro Carvalho na abertura do carnaval de Olinda – começou a atuar “nas modalidades a pé, a duas e quatro rodas, montado, embarcado, com cães, além de contar com o apoio do Grupamento Tático Aéreo (GTA) e câmeras de monitoramento com reconhecimento facial”.
Uma presença imponente e, tal como acontecia com a equipe do mestre Duvalle, deveria ser suficiente para desestimular confusões.
Acontece que, por falha de orientação ou, mesmo, por despreparo, a julgar por aquilo que aconteceu no ‘Trote do Elefante’ nas ladeiras da cidade, a polícia é a própria confusão, vendo crime em tudo, agindo com arbítrio, arrogância e violência, sendo, ela própria, o pivô de muitas brigas desnecessárias.
Se o comando da PM-PE não conseguir conter a fúria das suas tropas, a presença da polícia será vista pela população como tão perigosa quanto a minoria de arruaceiros.
Nos termos da música, a polícia precisa saber que “Polícia para quem precisa de polícia”.

