Não satisfeito com o comportamento da Organização das Nações Unidas (ONU) – cujo funcionamento é condicionado pelo controle territorial da base física onde está fincado o seu edifício-sede, pelo poder de veto exercido sobre o seu conselho de segurança, pelo contingenciamento das verbas de manutenção das suas agências especializadas ou, mesmo, pela pura e simples desobediência às decisões da sua assembleia geral -, o presidente-imperador Donald Trump decidiu criar uma ‘Nova ONU’, a qual, tendo por mote inicial a situação de Gaza e sob o nome provisório de Conselho da Paz, pretende atuar como um novo organismo internacional, cuja característica maior é a submissão à vontade imperial dos Estados Unidos.
De fato, apresentando como chamariz a possibilidade de participação na ‘reconstrução de Gaza’ (um negócio que alcançará a estonteante cifra de US$ 1 trilhão), o ingresso de países no colegiado está condicionado a duas coisas: o convite expresso dos Estados Unidos (e, portanto, da vontade do Tio Sam) e o pagamento de uma taxa estabelecida pela Casa Branca – ou seja: só entra quem os Estados Unidos querem e estiver disposto a pagar a taxa por eles estabelecida).
O caráter estadunidense do tal Conselho da Paz é tão escancarado que, por ter firmado um entendimento comercial com a China, o governo do Canadá foi desconvidado a dele participar.
De alguma forma, com a construção do Conselho da Paz, Donald Trump vai dividir o mundo entre ‘aliados’ e ‘não-aliados’, dando novo passo para consolidação do seu império.
Não é sem razão, portanto, que os principais países se recusaram a participar da arapuca, preferindo atuar no sentido do fortalecimento das relações multilaterais.
O Tio Sam que se vire com as bananas.
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