Dizem que todo mal traz um bem.
Deve ser, mesmo. Veja, por exemplo, que, ao atiçar a ira dos Estados Unidos contra o Brasil, a traição de Eduardo Bolsonaro acelerou processos que, até então, dormitavam ou progrediam lentamente, levando à situações interpretadas por muitos como tiro-pela-culatra ou tiro-no-próprio-pé.
Com efeito, dando razão às máximas segundo as quais ‘nada como um inimigo comum para unir as pessoas’ e ‘o perigo faz as pessoas agirem, ao sentirem-se ameaçados pelas atitudes do Tio Sam, alguns precisaram procurar refúgio e, forçados pela realidade construída a partir da traição de Eduardo Bolsonaro, escolheram o lado Brasil e, em torno dele, cerraram trincheiras – é o caso dos empresários que seriam levados a perdas insuperáveis pelo tarifaço de Donald Trump se não fosse a ação do governo Lula.
Outros se empolgaram pelo sentimento de brasilidade e, retomando símbolos nacionais que indevidamente tinham sido sequestrados pela extrema-direita patriotária, voltaram a empunhar a bandeira do Brasil com ardor, também cerrando fileiras em torno do governo que resiste às agressões estadunidenses.
Outros ainda, por razões diversas – especialmente por uma espécie de senso de responsabilidade profissional exacerbada pelo instinto de sobrevivência e afetada pelo desejo de vingança -, aceleraram procedimentos – foi o quê ocorreu com o Supremo Tribunal Federal (STF), que tardiamente definiu os limites da chamada Lei Magnitsky no Brasil, e com a Polícia Federal (PF), que concluiu, acelerou ou instaurou processos que deveriam estar em andamento há tempos.
Entre aqueles que mais perderam com o lado bom decorrente da traição de Eduardo Bolsonaro – além do próprio Eduardo Bolsonaro, que entrou definitivamente no rol dos grandes traidores da Pátria, de Jair Bolsonaro, que viu acelerar todos os processos que correm contra si, e da extrema-direita, que teve escancarado à sociedade o seu entreguismo e sua falta de patriotismo -, está o farsante Silas Malafaia, cujo comportamento incompatível com homem que se apresenta como líder espiritual e chefe de Igreja.
De fato, como consequência dos inquéritos abertos contra Jair e Eduardo Bolsonaro, veio à tona o envolvimento do pastor Silas Malafaia na formulação dos planos lesa-pátria levados adiante nos Estados Unidos, já tendo sido incluído formalmente no inquérito aberto em maio pela PF para apurar a ‘busca de sanções internacionais contra o Brasil’ cujo relator é o ministro Alexandre de Moraes.
Ao saber, na 3ª feira, dia 19 de agosto de 2025, que tinha entrado na mira da PF, usando a verborragia estridente de sempre e, talvez sem medir o alcance das suas palavras e sem perceber estar criando provas contra si próprio, Silas Malafaia esbravejou ameaças contra o STF dizendo que ‘lideranças religiosas norte-americanas já estavam mobilizadas para defendê-lo junto ao presidente Donald Trump’.
Pelo sim ou pelo não, no dia seguinte, o ministro Alexandre de Moraes determinou que, em operação de busca e apreensão cumprida no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, a Polícia Federal recolhesse o seu telefone celular e o seu passaporte, proibindo-o de sair do país e começando a desenrolar o fio de um novelo que ninguém sabe a onde vai levar.
Pelo visto, a traição de Dudu Bananinha vai dar grande contribuição ao processo de depuração da vida pública no Brasil.
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