O sorteio da chamada ‘Mega da Virada 2025’ – um dos jogos de azar mantidos pela Caixa Econômica Federal -, que sorteou prêmio superior a R$ 1 bilhão, cria a oportunidade para importantes reflexões, especialmente sobre a propriedade das atividades empresariais isentas de risco e, também, sobre a maturidade exigida daqueles que enriquecem subitamente.
Com efeito, considerando que o lucro é a remuneração do risco assumido pelo empresário, não há significado na propriedade privada de atividades de resultado certo (como é o caso dos jogos de azar e da maior parte das operações bancárias), devendo caber ao Estado a sua propriedade.
Assim, nesta perspectiva, a Caixa Econômica Federal (ou qualquer outra entidade estatal) está coberta de bons argumentos para administrar jogos de azar (e deveria estender esta condição às demais atividades isentas de risco para o empreendedor).
Por outro lado, merece atenção o eventual despreparo pessoal daqueles que, de uma hora para outra, ficam milionários.
De fato, embora para gente como Elon Musk pouco impacta o recebimento de valores milionários, para a maioria das pessoas esta situação pode representar uma espécie de ‘caos psicológico’.
Imagine o que se passa na cabeça de uma pessoa ‘normal’ (aquela que vive de salário, que usa cartão de crédito e cheque especial, que paga aluguel, que depende de financiamento para trocar de carro, que programa viagens em função do 13º salário, etc.), receber repentinamente R$ 192 milhões (este foi o prêmio individual pago pela Caixa Econômica Federal a cada um dos ganhadores da Mega da Virada), habilitando-se instantaneamente a realizar todos os seus sonhos de consumo, continuar rico e, lógico, se converter em alvo de ‘caçadores sexuais’ e trambiqueiros de todas as naturezas.
Esta situação deve mexer muito com a cabeça dos felizardos.
Não ocorre sem razão os desajustes sociais tão costumeiros nos novos-ricos.
Acho que a Caixa Econômica Federal deveria manter um serviço de orientação financeira e de apoio psicológico aos ganhadores das grandes boladas.
De qualquer forma, que todos tenham a sorte de ganhar nas loterias e manter o equilíbrio para conviver com a fortuna sem perder as rédeas sobre si mesmo.
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