Por mais que uns tentem esconder e outros não consigam ver, do ponto de vista presencial, das organizações públicas, a ECT (Correios) é a única verdadeiramente presente em todos os pontos do País.
É aos Correios que cabe a obrigação de entregar cartas e encomendas a moradores de qualquer cidade, independentemente de quão remota ela seja.
Esta condição é tão séria que até cartas dirigidas ao Papai Noel são despachadas através dos Correios. Pode até demorar, mas (não perguntem como) a entrega é feita.
Esta capilaridade material dá aos Correios uma condição especialíssima e, nesta perspectiva, [os Correios] devem ser considerados de importância estratégica e, portanto, mantidos ao largo de aferições pertinentes a outros tipos de organizações, como, por exemplo, lucratividade.
Desta forma – assim como não se espera ‘lucro’ do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional, de Poder Judiciário, das Forças Armadas, das polícias militares e organizações deste tipo – não se deve esperar ‘lucro’ dos Correios.
Aliás, tomado pelo redemoinho do liberalismo e da modernidade, os Correios passaram a enfrentar grandes dificuldades – de um lado, perdeu o monopólio histórico e ganharam a concorrência imbatível das empresas internacionais de entregas (que, com maior agilidade e eficiência, melhor se aproveitam do turbilhão de negócios decorrentes das compras on-line) e, de outro [lado], com o advento dos instrumentos de conectividade imediata permitidos pelo avanço tecnológico (correio-eletrônico, WhatsApp, etc. etc. etc.), [os Correios] viram minguar o mercado da entrega de cartas.
Nada disso, no entanto, afeta o caráter estratégico dos Correios e, à rigor, desqualifica parte das discussões atualmente travadas para ‘retirar os Correios da crise’.
Para quem não está informado, apesar de os Correios terem registrado receita de R$ 7,2 bilhões com encomendas e R$ 3,6 bilhões com mensagens (dados apurados até 30 de setembro), há um grande debate sobre o ‘grande prejuízo’ dado pelos Correios, havendo, inclusive, quem defenda a sua privatização (providência desprovida de qualquer sentido e que, no fundo, equivale a privatização do Exército ou da Marinha de Guerra).
Há pouco, após a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) confirmar a garantia do Tesouro Nacional, um consórcio de bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) decidiu emprestar R$ 12 bilhões aos Correios, com repasse imediato de R$ 10 bilhões.
Na sequência, provavelmente inspirado por algum guru liberal e demonstrando nada saber da essência estratégica da organização que dirige, o presidente Emmanoel Schmidt Rondon anunciou o ‘plano de recuperação dos Correios – uma peça nitidamente redigida com o apoio de assessoria liberal, que contempla, entre outros itens, a demissão de 15 mil funcionários (sob o argumento de ‘economizar’ R$ 2,1 bilhões por ano) e (pasme) o fechamento de mil agências ‘deficitárias’, que obviamente são localizadas nas cidades menores e mais distantes do País.
É isso? Quer dizer que, tratando os Correios como uma loja qualquer, os ‘gênios’ estão propondo o desmonte das características que constituem o seu caráter estratégico?
A adoção deste plano constitui um crime lesa-pátria e seus formuladores deveriam ser imediatamente demitidos a bem do serviço publico.
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