No ano passado, entre os dias 13 e 24 de junho, o mundo viu como as Forças de Defesa de Israel – que, na ocasião, vinham impunemente praticando holocausto genocida contra a indefesa população palestina confinada em Gaza – foram forçadas a se curvar diante da poderosa Guarda Revolucionária do Irã, abreviando a celebração do acordo que pôs fim a guerra iniciada com o ataque conjunto da aviação de Donald Trump e de Benjamim Natanyahu contra as instalações de pesquisa nuclear em Isfahan e Natanz e Fordo.
De qualquer forma, mesmo sentindo na pele demonstrações claras da força militar do Irã, agora, em 28 de fevereiro de 2026, passados apenas oito meses desde a última lição, sem qualquer motivação objetiva e sem autorização dos respectivos parlamentos, os Estados Unidos e Israel voltaram atacar o país.
Desta vez, provavelmente com a intenção de dizimar todo o comando persa num único ataque, dando grande demonstração de eficiência dos serviços de informação, os agressores estadunidenses e israelenses descobriram onde as autoridades estariam e capricharam na pontaria dos mísseis para alvejar o complexo governamental de Teerã durante uma reunião de trabalho, assassinando o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Abdolrahim Mousavi, o ministro da Defesa Aziz Nasirzadeh e outras autoridades.
Pronto!!! Nas cabeças oligofrênicas de Donald Trump e de Benjamim Netanyahu estava resolvida a parada, pois (imaginavam eles), sem os principais líderes, o Irã capitularia e se entregaria sem resistência.
Ledo engano! Se conhecessem um pouco de história, saberiam que os iranianos carregam o sangue que animou guerreiros como Ciro, Xerxes, Dario, Antaxerxes, Felipe e Alexandre e não esmoreceriam por tão pouco.
Com efeito, talvez como prova de respeito aos seus mortos, como resumiu o recado mandado pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, para os agressores Donald Trump e Benjamim Netanyahu (“Vocês cruzaram uma linha vermelha e pagarão por isso”), o presidente Masoud Pezeshkian tratou de reorganizar a liderança do país – o aiatolá Alireza Arafi foi nomeado interinamente líder supremo e presidente do colegiado do Conselho dos Guardiões do Irã e a reação aos inimigos se intensificou, surpreendendo os generais dos Estados Unidos e de Israel. Neste embalo, contando com significativo apoio da opinião pública internacional, o Irã respondeu aos ataques iniciais, fechando o Estreito de Ormuz (por onde passa 20% do petróleo consumido no Planeta), lançando centenas de mísseis e drones contra navios, embaixadas e bases militares estadunidenses presentes na região, contra cidades de Israel e de países árabes aliados dos Estados Unidos, contra portos e aeroportos usados pelas tropas agressoras, contra refinarias de petróleo.
Ao ver a embaixada dos Estados Unidos ardendo em chamas em Riad, receber a confirmação das primeiras mortes de soldados estadunidenses e tomar conhecimento de que o porta-aviões US Abraham Lincoln fora alvejado por mísseis disparados ninguém-sabe-de-onde pelos iranianos, o presidente Donald Trump começou a perceber que não deveria ter começado aquela guerra. Mesmo assim, sem perder a pose (mas apresentando o pescoço marcado por urticárias decorrentes da pressão psicológica), em rápida entrevista concedida na Casa Branca, Donald Trump afirmou que, se continuar assim, “o Irã será atingido com uma força nunca vista antes”.
Há quem diga que, neste momento, com a torcida da opinião pública mundial, os iranianos têm a chance de vingar todos aqueles que padecem o jeito de ser dos Estados Unidos e de Israel.
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