Ontem – dias depois do fiasco da CPMI do INSS (que, por obra e graça de um conluio do qual fez parte o próprio deputado-relator Alfredo Gaspar, terminou sem relatório final, como se nada tivesse acontecido, nem mesmo [tivesse acontecido] o roubo dos aposentados e pensionistas do INSS) – foi a vez da CPI do Crime Organizado fazer o seu papelão, deixando a impressão de que não interessa aos parlamentares fazer um enfrentamento real ao crime organizado.
Aliás, esta sensação já tinha ficado claro quando, a mando do governador Tarcísio de Freitas, o ex-secretário paulista de segurança e deputado Guilherme Derrite deturpou o Projeto de Lei Antifacção (PL 5.582/2025) com texto substitutivo que teve o nítido objetivo de enfraquecer o combate aos magnatas do crime.
Imagine que, agora, no caso da CPI do Crime Organizado – além de o senador-presidente Davi Alcolumbre ter negado prorrogação do prazo para seu funcionamento (assim como já fizera com a CPMI do INSS) e o Supremo Tribunal Federal (STF) ter dispensado vários bandidos de atender a suas convocações e convites [convocações e convites da CPI] – o senador-relator Alessandro Vieira resolveu fazer gracinha.
De fato – concluindo um trabalho que, como bem apontou senador-presidente Fabiano Contarato, em seus cinco meses de funcionamento, realizou 18 reuniões, ouviu 19 depoimentos, considerou 314 requerimentos (dos quais 204 foram apreciados e 178 aprovados) com 57 convocações, 41 convites, 32 pedidos de informações e 37 quebras de sigilo (duas das quais invalidadas por decisão do STF) – à guisa de relatório final da CPI do Crime Organizado, o relator Alessandro Vieira produziu texto que não faz referência a qualquer grande criminoso (Daniel Vocaro, Fabiano Zettel, Beto Louco, Cláudio de Castro, Ibaneis Rocha, Pedro Furtado Gouveia Neto, Mohamad Hussein Mourad, Luiz Felipe do Valle Silva do Quental de Menezes, Guilherme da Silva Oliveira, Bruno Sato Alves Pereira, Rogério Garcia Peres, Ricardo Romano, Armando Hussein Ali Mourad, Luiz Ernesto Franco Monegatto, Onyx Lorenzoni, Antonio Carlos Camilo Antunes, Maurício Camisotti, Roberto Campos Neto ou qualquer outro grande bandido sequer foi citado).
Ao invés disso, como se fosse bandeira de puro exibicionismo com a marca ‘QUERO SER REJEITADO’, o texto do senador Alessandro Vieira propôs o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República Paulo Gonet ‘por crimes de responsabilidade’.
Como não podia deixar de ser, o texto foi rejeitado e a CPI do Crime Organizado terminou sem um relatório final.
Um fiasco!
Um fiasco que cheira a armação, um jogo de cartas marcadas, articulado meticulosamente para não levar à lugar nenhum.
Fica cada vez mais claro que fazer um enfrentamento real ao crime organizado não interessa ao Congresso Nacional.
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