6ª feira, dia 03 de julho de 2026
Embora sejam veementemente contrários a aplicação de recursos públicos no socorro aos necessitados (aos quais se referem como ‘gastos’ em parte responsáveis pelo ‘déficit orçamentário’, pelo ‘desequilíbrio fiscal’, pela ‘dívida pública’ e por coisas desta natureza), os grandes empresários e os políticos (inclusive e especialmente os de matiz conservadora) se calam diante dos bilionários subsídios transferidos pelo governo aos ricos e [nada dizem] sobre a renúncia fiscal que beneficia as igrejas e [beneficia] os partidos políticos.
Aliás, tanto os subsídios como as renúncias fiscais carregam as digitais dos críticos do suporte social aos necessitados, em nítido indicador de que, no fundo, a sua adoção (dos subsídios como as renúncias fiscais) tem um leve sabor da luta de classes e, ainda, que sua eventual redução ou eliminação não ocorrerá sem embates traumáticos.
Nunca é demais lembrar que, por quase sempre contar com a resistência do ‘pessoal da Fazenda’ (nem sempre muito firme ou sincera), no fundo, as resistências enfrentadas pelas benevolências tributárias constituem testes da força política daqueles que fazem os respectivos lobbies.
De qualquer forma, esquecidos dos mimos que recebem, direta ou indiretamente através dos seus mentores e padrinhos, os grandes empresários e os políticos hipócritas mantêm o dedo em riste para acusar o bolsa-família (programa social que parece amalgamar todos os outros) de ser ‘o responsável’ pelos desequilíbrios orçamentários, déficits financeiros e endividamento do Tesouro Nacional.
Para os milionários hipócritas – que, ao invés de ‘dar’ (como preceituam os manuais de justiça tributária), eles ‘tiram’ -, o governo deve governar apenas para os ricos (uma minoria privilegiada, que, por apresentar poucas necessidades não atendidas, exigem baixos investimentos do governo, tornando, assim, a administração pública menos dispendiosa), deixando os numerosos pobres ao deus-dará. No entender desta turma, por terem quase nada, os pobres necessitam muito e, desta forma, inclui-los (os pobres) nas preocupações de governo exige investimentos que tornam a administração pública muito dispendiosa.
A incompreensão das elites sobre os investimentos do governo no socorro aos necessitados é fruto de um infernal mix que, em doses variáveis de intensidade que varia segundo o nível pessoal de Egoísmo, reúne hipocrisia, perversidade, preconceito e ganância.
No dia que a Solidariedade prevalecer diante do Egoísmo, o atendimento aos necessitados passará a ser considerado uma obrigação de todos e não uma generosidade de alguns.
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