Por razões compreensíveis (afinal de contas, a mídia corporativa integra um sistema de controle social a serviço das elites e, além disso se subordina ao interesse dos anunciantes), a mídia corporativa vem minimizando a responsabilidade do mercado financeiro no megaesquema desvendado pela operação ‘Carbono Oculto’, ocorrida em 28 de agosto de 2025, com foco na ação do Primeiro Comando da Capital (PCC) com a cumplicidade de algumas das principais instituições sediadas na Avenida Faria Lima.
Na realidade, a cobertura dada pela mídia corporativa parece desconsiderar a relação promíscua entre o PCC e setores do mercado financeiro.
Embora, de forma superficial, faça referências gerais a ‘um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis’, a mídia não faz menção a Tarcísio de Freitas (cuja omissão o fez calar sobre as tramoias por ele sabidas há mais de ano), [não faz menção] ao deputado Nikolas Ferreira (que liderou campanha para impedir a fiscalização do esquema por muito tempo), poupa o pessoal da FariaLima (como se os banqueiros não tivessem participação no esquema criminoso) e, sequer, cita o nome de grandes empresas, como, por exemplo, a distribuidora Aster Petróleo.
Os relatórios oficiais da Operação Carbono Oculto, no entanto, não estão balizados pela mídia corporativa e – alertando que, como as investigações estão no começo, muita sujeira ainda vai aparecer – [os relatórios] confirmam a parceria do crime com o mercado financeiro, apontando o controle do PCC sobre 40 fundos de investimentos com R$ 52 bilhões em patrimônio, negócios na bolsa B3 e domínio de toda a cadeia de álcool combustível.
Na realidade, visto por certos ângulos, dada a superposição de interesse e o entrelaçamento das ações, já sabendo que todos são criminosos, é quase impossível distinguir quem é PCC e quem é financista.
Os principais jornais não dizem, mas as batidas feitas em endereços chiques e escritórios acarpetados da Avenida Faria Lima revelaram a existência de bancos controlados pela facção criminosa.
Aliás, o mapeamento feito pela Polícia Federal já concluiu que 10% do mercado financeiro presente na Avenida Faria Lima está envolvido com o crime organizado e apontou a fuga do Brasil de oito mega empresários, que passará a compor a ‘lista vermelha’ da Interpol) por conta da Oposição Carbono Oculto.
A observação através da lupa correta mostra que o crime organizado se alastrou e contaminou muitos seguimentos da vida social – o mercado financeiro, a politica, a igreja.
Assim, não surpreenderia se também estivesse infiltrado nos meios de comunicação e estivesse dando cartas na mídia corporativa.
Como afirma a madre superiora, ‘tá tudo dominado’.
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