O segundo turno das eleições presidenciais da Bolívia ocorreu ontem e sorriu a vitória para Rodrigo Paz, candidato do Partido Democrata Cristão (PDC) – uma das siglas conservadoras beneficiadas pela confusão decorrente do isolamento pretendido pelo presidente Luís Arce ao líder Evo Morales -, [Rodrigo Paz] que já divulgou ter tido uma conversa com Christopher Landau, subsecretário de Estado dos Estados Unidos.
Este mau começo é significativo e indica que, em pouco tempo, todos os avanços conquistados pelo ‘estado plurinacional’ sob a liderança de Evo Morales serão anulados e a Bolívia voltará a ser a república de banana que sempre foi.
De qualquer forma, como novidade, Rodrigo Paz apresentou o desejo de promover um ‘capitalismo para todos’.
Na realidade, de algum modo, esta proposta contradiz a própria natureza do Capitalismo, o qual, naturalmente, em decorrência da liberdade econômica, implica na formação de bolsões de riqueza e de pobreza que se posicionam de forma antípoda, contrastando o elevado padrão de consumo dos enriquecidos com a miséria da pessoas excluídas do mercado.
O que Rodrigo Paz quer dizer com ‘capitalismo para todos’?
Estará ele defendendo a universalização dos desníveis decorrentes da aplicação da liberdade econômica ou [estará ele] pensando na possibilidade de um regime capitalista funcionar em comunidade na qual todos possam exercer a condição de consumidor?
Se Rodrigo Paz estiver pensando em vir a ser mais um arauto do capitalismo, como outros o fazem, encontrará a firme oposição de tantos quantos tenham a solidariedade social como baliza.
Se, no entanto, estiver sonhando com um regime no qual todos possam exercer simultaneamente as condições de pessoa humana, cidadão e consumidor, sem saber Rodrigo Paz está com um pé no humanismo de Evo Morales, estando, portanto, fadado a entrar na alça de mira dos golpistas abrigados na Direita boliviana.
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