Vejam como são as coisas.
Alegando questões de segurança, por muito pouco, o Rio de Janeiro não teve a pretensão de sediar os Jogos Olímpicos de 2016 preterida em favor de Madri.
Com efeito, em outubro de 2009, quanto tomou a decisão, o Comitê Olímpico Internacional foi alertado, sobretudo pelos europeus, que, governada por cariocas (forma depreciativa como os ‘civilizados’ chamam os ‘brasucas’, o Rio de Janeiro está permanentemente ameaçada pela ação de gangues criminosas.
A grande ironia que cerca este caso é que, alguns anos antes (em 2004), o sistema de trens de Madri foi alvo de uma série de atentados coordenados e simultâneos que mataram 193 pessoas e feriram outras 2.050 [pessoas].
Um ano antes (em 2003), uma série de atentados sacudiu o sistema de transportes públicos de Londres, matando 52 pessoas e ferindo outras 700 [pessoas].
Em 2015 (um ano antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro), uma série de atentados em Paris matou 130 pessoas e feriu outras centenas.
Mesmo assim, curiosamente, para os ‘civilizados’, a cidade perigosa é o Rio de Janeiro.
Agora aconteceu outro fato muito interessante.
As cidades brasileiras são as mais inseguras, mas, no domingo, em plena luz do dia, no curso de uma operação espetacular, ladrões invadiram o Museu do Louvre e roubaram joias no valor de € 88 milhões (equivalente a mais de R$ 550,2 milhões).
Horas mais tarde, reapareceu uma coroa de diamantes que pertenceu à imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III (composta por 1.354 diamantes e 56 esmeraldas), mas ainda permanecem desaparecidas uma Coroa com safiras e quase 2.000 diamantes, um colar com oito safiras do Sri Lanka e mais de 600 diamantes da rainha consorte Maria Amélia, um colar e brincos da imperadora Maria Luisa, segunda esposa de Napoleão Bonaparte, com 32 esmeraldas e 1.138 diamantes e, ainda, um broche com 2.634 diamantes da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, adquirido pelo Louvre em 2008 por € 6,72 milhões – cerca de R$ 42,2 milhões.
Sem dúvida, um assalto impressionante.
Ninguém, no entanto, se pergunta sobre origem de tantos diamantes, safiras e esmeraldas.
Afinal de contas, ao que se sabe, não há minas de ouro e pedras preciosas na França.
Na realidade, as joias roubadas domingo pelos assaltantes do Louvre foram construídas a partir de metais e pedras precisas roubados pela realeza há tempos.
E, pouco a pouco – enquanto os mais espertos se convencem de que, considerando a dinâmica das cidades ‘civilizadas’, as cidades brasileiras são apenas cidades como outras quaisquer – cresce um sentimento de simpatia em relação aos assaltantes, pois, como afirma a sabedoria popular, ‘ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
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