Ontem, cumprindo 42 mandados de busca e apreensão concedidos com alguma relutância pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, a Polícia Federal (PF) deflagrou nova fase da chamada ‘Operação Compliance Zero’, que se insere na investigação daquilo que o ministro da fazenda Fernando Haddad diz ter sido a ‘maior fraude bancária da história do país’, envolvendo o Banco Master e o trambiqueiro Daniel Vorcaro. A operação da PF visou endereços charmosos nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, incluindo a enlameada Av. FariaLima, e pessoas ligadas ao trambiqueiro, incluindo o ‘empresário’ Nelson Tanure, o pai e pastor Henrique Moura Vorcaro, a irmã Natália Vorcaro Zettel, o primo e sócio Felipe Cançado Vorcaro e o cunhado, pastor e empresário Fabiano Zettel (maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas, que estava prestes a fugir em um jato particular para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e foi preso na hora), resultando no bloqueio de R$ 5,7 bilhões e na apreensão de R$ R$ 645 mil em dinheiro em espécie (esta turma gosta muito de dinheiro vivo), 23 veículos avaliados em mais de R$ 16 milhões, 30 armas ilegais, 31 computadores e 39 celulares.
Por enquanto, pouco se sabe daquilo que, de fato, ocorreu nos bastidores da operação (e do restante das investigações). Sabe-se apenas que o início desta segunda da fase da Operação Compliance Zero com 24 horas de atraso em relação ao momento determinado pelo ministro Dias Toffoli (suscitando a pergunta sobre o que teria acontecido durante este período?) e que, em nítida manobra de obstrução (intencional ou não), [Dias Toffoli] determinou que todo o material apreendido (incluindo os computadores e celulares) fossem lacrados e recolhidos ao STF (suscitando a pergunta por que impedir a PF de ter acesso às memórias dos computadores e telefones apreendidos?).
Consciente de que, alcançando a fabulosa cifra de R$ 50 bilhões, o escândalo do Banco Master constitui (como disse Fernando Haddad) a ‘maior fraude bancária da história do país’, a sociedade brasileira espera seriedade, honestidade e compromisso republicano das autoridades que estão à frente das investigações, não só para punir os bandidos-de-colarinho-branco mas, também, para a manter informada sobre o caso.
De qualquer forma, cabe o registro de que, além do gosto pelo crime, dois pontos são comuns aos envolvidos: todos são eleitores da turma de Bolsonaro e todos julgam que o mal do país é a política social que mantém programas como o bolsa família…
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