O velho provérbio afirma que ‘quem nunca come mel, quando come se lambuza’.
É exatamente isto que está ocorrendo com a rede hoteleira de Belém, a qual, ao invés de aproveitar a chance criada pela realização da COP30 em novembro próximo para projetar a cidade como charmoso destino turístico para viajantes de todo o mundo, está convertendo a oportunidade em caça-níquel momentâneo e, com isso, taxar a capital do Pará como uma das cidades ‘mais caras’ do mundo (e, portanto, pouco atraente).
Com efeito, imagine a sensação de um turista diante da diária de R$ 15 mil cobrada por hotel que – se comparado com outros de preço semelhante situados em cidades como Roma, Paris, Londres ou Nova York – parecem espeluncas aquém da categoria de ‘pulgueiro’.
Mais que comportamento tupiniquim, além de desperdiçar a oportunidade e desrespeitar o esforço e a coragem do governo federal (que resistiu a todas as pressões para realizar a COP30 no Rio de Janeiro ou São Paulo para prestigiar a pequena e despreparada Belém), a postura da rede hoteleira de Belém ultrapassa o horizonte da burrice.
Uma burrice grande!
Imagine o baque que a região sofreria se, fazendo aquilo desejado por todos (inclusive pelos estrangeiros), o governo resolvesse transferir a COP30 para o Rio de Janeiro (que, além de dispor dos recursos necessários para abrigar grandes eventos, atende aos sonhos de consumo turístico de qualquer viajante) ou, no caso de haver ou de ser criado o provimento legal, o governo intervisse na rede hoteleira de Belém e, mediante licitação com a fixação de diárias máimas por categoria de hospedagem, transferisse a gestão dos hotéis locais para algum grupo empresarial nacional (ou mesmo Internacinal).
Acho que não vai acontecer nada disso, mas, entre as lições já deixadas pela COP30, está claro que, até alcançar o patamar mínimo das empresas medíocres, a rede hoteleira de Belém precisará melhorar muito.
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