Ser mãe não é fácil, principalmente para as mulheres desprovidas de recursos capazes de ajudá-la a repartir o peso das muitas tarefas que costumam acumular no dia-dia. De fato, junto com a maternidade, por falta de opção, muitas mulheres exercitam todos os outros afazeres cotidianos, incluindo os cuidados com o parceiro e, eventualmente, a militância.
Muito me marcou o enfrentamento das famílias ocupantes de um casarão localizado na Rua Velha, na região central do Recife, ao batalhão de choque designado por um juiz para fazer a desocupação – no episódio, muitas pessoas ficaram feridas e foram presas pela polícia militar, incluindo uma jovem guerreira, grávida de oito meses (uma notícia muito impactante, pois relatou uma luta social na qual pessoas foram presas mesma antes de nascer).
A humanidade, no entanto, não é composta apenas por gente ocupada e guerreira, abrigando todo o tipo de pessoas, inclusive desocupadas, aproveitadoras e metidas-à-besta. Aliás, neste mundo de Deus, há até mulheres despreparadas ou desinteressadas com a maternidade. Algumas, inclusive, talvez por contar com o suporte de uma legião de babás, tratam os filhos como bibelôs. Ontem, por exemplo, a televisão mostrou um desses casos.
Durante a ocupação da mesa dirigente da Câmara dos Deputados pela extrema-direita inconformada com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, chamou atenção a presença de uma mãe com um bebé de colo. Era a deputada catarinense Júlia Zanatta – uma dondoca endinheirada, que jamais exerceu a maternidade e vem terceirizando os cuidados com os filhos. Mas, por que, mesmo dispondo de várias babás para garantir o cuidado e a segurança da criança, Júlia Zanatta submeteu o filhinho a riscos desnecessários? Teria Júlia Zanatta usado o próprio filho como elemento de autopropaganda, em gesto irresponsável de exibicionismo, ou, pior, Júlia Zanatta estaria planejando usar o filhinho como escudo humano no caso de o ato descambar para a violência.
Não se sabe, mas, seja como for, ao expor o filhinho de forma desnecessária, Júlia Zanatta provou que não está preparada para a condição de mãe.
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