Ontem, por 48 votos favoráveis e 25 votos contrários, o Senado aprovou o chamado PL da Dosimetria, oriundo da Câmara dos Deputados – uma proposta que, sob a fachada de reduzir a pena dos envolvidos no Oito de Janeiro, incluindo Jair Bolsonaro, renova e impulsiona o espírito golpista no Brasil, minimizando a gravidade dos atentados contra a Democracia.
Em meio a torrentes de espuma, o noticiário especula a celebração de eventuais acordos que teriam patrocinado a célere aprovação da ‘anistia’ aos golpistas.
As suspeitas ganharam força com a pressa como a matéria vem sendo tratada.
De fato, no afã de aprovar a ‘anistia’ ainda este ano, apesar de ter introduzido modificações no projeto originalmente aprovado pela Câmara dos Deputados, o Senado não cumpriu os ritos regulamentares e a encaminhou diretamente para a sanção presidencial.
Aliás, nestas últimas horas, se falou em todo o tipo de acordo – até mesmo com o STF e com o governo Lula (o qual teria trocado a ‘anistia’ pela colaboração do Centrão e bancada bolsonarista para aprovação de projetos-de-lei de natureza econômica).
Prefiro não acreditar na hipótese do ‘acordo’, pois, afinal de contas, a tese da ‘anistia’ aos golpistas contraria tudo aquilo que vem dito, desde muito, pelo governo Lula, pelos ministros do STF e por toda a sociedade pensante.
De toda forma, um pouco tempo, saberemos das coisas, pois, se de um lado, o STF terá a chance de rejeitar o rito ilegal seguido pelo Senado, o presidente Lula poderá vetar o projeto-de-lei aprovado pelo Congresso Nacional.
Em todo o caso, vale a pergunta: De que valeu a estrondosa mobilização pela rejeição do PL da Anistia feita pela sociedade brasileira no último domingo?
Se Lula não vetar a ‘anistia’ terá grande dificuldade para convence o povo a voltar às ruas para enfrentar as bobagens propostas pela extrema-direita.
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