Sob a alegação de que a posse de armas é um direito do cidadão e uma garantia da liberdade e da segurança individuais – sem saber que a segurança é um direito dos cidadãos e deve ser garantida pelo Estado (que detém o monopólio do uso da força e a exclusividade da violência) -, provavelmente impulsionado pelo forte e generoso lobby da indústria armamentista, o governo de Jair Bolsonaro escancarou o comércio de armas e, sem-querer-querendo, armou os grupos criminosos atuantes no País, dando-lhes poder de fogo similar às forças de segurança.
Nesta perspetiva, pode-se dizer sem medo de cometer heresia que, em última análise, Jair Bolsonaro é o responsável pela presença de armamento pesado no mundo do crime.
O interessante é que, para remediar a situação, os governos estão ‘comprando’ armas em circulação pelo País.
Com este objetivo, alguns governos chegam a cometer graves ilegalidades, pois terminam por instituir situação que beira a pena de morte.
No Rio de Janeiro, por exemplo, há uma polpuda gratificação por cada fuzil capturado e entregue a PM. Resultado, na carnificina perpetrada pela Polícia nas Comunidades da Penha e do Alemão, junto com 121 mortes, a operação rendeu 117 fuzis e, naturalmente, as competentes gratificações.
Ficam as perguntas:
Os bandidos daquela região só usam fuzis?
Onde estarão as pistolas eventualmente recolhidas junto com os fuzis?
Os mais espertos concluem facilmente que [as pistolas e outras armas] não foram devolvidas porque não rendem polpudas gratificações.
Dizem, inclusive, que muito em breve as armas não entregues a Polícia serão vendidas e retornarão ao crime organizado.
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