5ª feira, 27 de agosto de 2026
Amparado na observação dos esquemas pessoais de simpatias, antipatias, tolerâncias e intolerâncias, um velho provérbio afirma ‘diz me com quem andas, que te direi quem és’. Parece claro que os amigos de Jesus formam um grupo diverso daquele formado pelos amigos de Herodes, de Caifás ou de Pôncio Pilatos.
De fato, as pessoas têm características que, naturalmente, as fazem caber como uma luva em certos ambientes ou as tornam incompatíveis com eles [com os ambientes]. Com as exceções (que servem para confirmar a regra), num grupo de bons dificilmente há maus e, na visada inversa, num grupo de maus dificilmente há bons.
Não é sem razão portanto que, sem a necessidade de maiores confidências, é possível identificar a opção eleitoral de uma pessoa através do comportamento geral do grupo a que pertence.
O que dizer, por exemplo, da opção eleitoral das pessoas que condenam os golpes de estado, [que] gostam de arte, [que] defendem a educação e a cultura, [que] repudiam a violência, [que] defendem a preservação ambiental, [que] discordam da presença da religião na política, [que] almejam um mundo mais justo e pacífico, [que] apoiam medidas de redução das desigualdades, [que] acham importante o conhecimento da história e da geografia, [que] defendem a soberania do País, [que] defendem o desenvolvimento científico e tecnológico, [que] acham indispensável a presença do Estado para o suporte aos necessitados e coisas assim?
E, noutro olhar, o que dizer da opção eleitoral de um grupo que não se indigna ou aceita placidamente o emprego sistemático da mentira com instrumento de ação política, [que não se indigna ou aceita placidamente] o uso preferencial da violência como forma de combate à violência, [que não se indigna ou aceita placidamente] a submissão política do país aos Estados Unidos, [que não se indigna ou aceita placidamente] o uso dos recursos públicos para o enriquecimento pessoal, [que não se indigna ou aceita placidamente] a ausência de propostas para a solução dos problemas do País, [que não se indigna ou aceita placidamente] a negação dos avanços científicos e tecnológicos, [que não se indigna ou aceita placidamente] a manipulação da religião com forma de condicionar o pensamento geral e a opinião pública, [que não se indigna ou aceita placidamente] o repúdio às artes e à cultura, [que não se indigna ou aceita placidamente] a naturalização da pobreza como parte de um panorama inevitável, [que não se indigna ou aceita placidamente] as desigualdades sociais e econômicas, [que não se indigna ou aceita placidamente] o abandono dos pobres e necessitados à própria sorte, [que não se indigna ou aceita placidamente] o uso do poder para oprimir os mais fracos com objetivo de aumentar ainda mais a sua riqueza e poder e coisas assim.
É por isso que na lista dos eleitores de Lula estão personalidades como o padre Júlio Lancelotti, o artista Chico Buarque de Holanda, o empresário nacionalista Francis Bogossian e gente assim e, na relação daqueles que declaram o voto em Flávio Bolsonaro estão ladrões como o ex-presidente da câmara federal Eduardo Cunha, o feminicida Bruno Fernandes, o patricida Cristian Cravinhos, o pedófilo Alfredo Gaspar, o sonegador Falb Saraiva de Farias, o escravocrata Sandro Luiz Fantinel, o trambiqueiro Daniel Vorcaro, o farsante Silas Malafaia, o cafetão Hytalo Santos e outras pessoas desta laia.
Aliás, dando maiores elementos para a formação dos blocos, ao tempo que Lula declara admiração por personalidades como o Papa Francisco, Flávio Bolsonaro declara amor por Donald Trump. Cada um tem um jeito de ser e todos devem ser respeitados.
Eu tenho o meu [jeito de ser] e, seguindo a minha índole, já escolhi o meu bloco.
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