O ‘quanto pior melhor’ (nos outros) parece ser uma das máximas mais valorizadas na extrema-direita, ambiência na qual os bolsonaristas ganham destaque.
Para aquela turma, todos que não fazem parte do seu time, são ‘comunistas’, ‘vagabundos’ ou as duas coisas – palavras usadas com o escárnio e o desrespeito que entendem apropriados àqueles dos quais não gostam.
Não é sem propósito, por exemplo, que as bancadas conservadoras e reacionárias tanto se empenham para piorar as condições de vida dos presidiários.
Na cabeça daquela turma, institutos como ‘visita íntima’, ‘saidinha’, ‘auxílio-reclusão’ e outros alívios são regalias inadmissíveis.
Por mais de uma vez, o próprio Jair Bolsonaro se referiu às penitenciárias como infernos cuja função é ‘ensinar bandidos a serem gente’.
Mas, qual um bumerangue, de vez em quando, aquela turma experimenta o veneno destilado por ela mesmo.
Outro dia, todos lembram, condenado a prisão por atentar contra a democracia, o ex-deputado Daniel Silveira, autor de muitas leis para infernizar a vida no cárcere, foi alcançado por ela [pelas leis restritivas] e comeu o pão que o diabo amassou.
Agora, quem está na cadeia é o velho Jair e, contrariando tudo aquilo que disse por toda a vida, começou a se preocupar com o respeito aos direitos humanos.
O mais interessante nisso tudo é que, sem atinar para os R$ 41.563,98 que o presidiário Jair Bolsonaro continuará a receber mensalmente da Câmara dos Deputados, os bolsonaristas insistem em satanizar o auxílio-reclusão cujo limite mensal é R$ 1.819,26 e tentar impedir que os familiares dos presos recebam qualquer suporte assistencial.
Mas, e se Jair Bolsonaro não fosse rico e tivesse os rendimentos suspensos, será que os bolsonaristas continuariam contra o auxílio-reclusão?
Leia mais em
www.alexandresanttos.com.br
