O Bolsonarismo está vivendo dias difíceis.
Não apenas por conta da prisão de Jair Bolsonaro e outros golpistas do chamado Núcleo Crucial, mas, também, pelos rudes golpes aplicados pelo governo Lula na estrutura central do crime organizado, inclusive aquele encastelado nos mais elevados patamares da estrutura social e política do País.
Sobre este ponto, vale uma rápida visita ao passado recentíssimo.
No final de agosto de 2025, em atividade conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público, a operação ‘Carbono Oculto’ atingiu alvos do coração financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) – cujas digitais foram identificadas na lavagem de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, através de quase 1.000 postos de gasolina, 40 fundos de investimentos e Fintechs, que atuavam como banco paralelo da organização – com envolvimento direto de 350 pessoas físicas e jurídicas.
Pois bem.
Em 28 de outubro de 2025, quando sentiu a ameaça ao alto comando do crime organizado, em puro gesto de sobrevivência e de seriedade questionável, com o nítido propósito em diversionista para afastar a atenção do ‘andar de cima’ – uma alusão ao patamar onde estão os criminosos do colarinho branco, incluindo políticos, empresários e funcionários públicos, que estimulam, financiam e se locupletam com o avanço do crime organizado no Brasil – as autoridades bolsonaristas atiçaram as forças policiais do Rio de Janeiro contra o baixo escalão do Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão, matando 121 pessoas.
Embora tenha provocado grande comoção popular e, por pouco tempo, tenha iludido alguns, em termos de eficácia ao combate ao crime, a matança não resolveu muita coisa, conforme ficou claro com o tiroteio que, por algumas horas, fechou a Linha vermelha dois dias mais tarde.
Enquanto os bolsonaristas tentam salvar a elite do crime através de ações contra os baixos escalões, a ação contra o ‘andar de cima’ prossegue.
Em 05 de novembro de 2025, nova ação contra a turma do PCC interditou 49 postos de gasolina em cidades do Piauí, Maranhão e Tocantins, sufocando cada vez mais a estrutura financeira do crime organizado.
O cabo-de-guerra entre os que miram o andar de cima e [miram] os escalões subalternos prossegue e, agora, atinge o Congresso Nacional.
De fato, enquanto os bolsonaristas tentam barrar o avanço do projeto-de-lei Antifacção encaminhado pelo governo para estabelecer o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no país (o deputado-secretário Guilherme Derrite quer impedir a participação da Polícia Federal nas investigações das facções), no Senado a luta contra o crime organizado continua.
Por estes dias, em gesto que contrariou os reis do crime e os bolsonaristas, que tentaram melar a iniciativa por todos os modos, após nove meses de muita insistência, o Senado instalou a CPI do Crime Organizado – uma comissão parlamentar de inquérito que, segundo o presidente-senador Fabiano Contarato e o relator Alessandro Vieira (ambos ex-delegados de polícia) vai investigar o assunto a fundo, inclusive o ‘andar de cima’.
Aliás, entre os 11 senadores da CPI, existem cinco Bolsonaristas, inclusive Márcio Bittar. Flávio Bolsonaro, Magno Malta e Marcos do Val.
Não vai ser fácil desmontar a estrutura do crime organizado no Brasil, que conta com o apoio dos bolsonaristas, mas, de qualquer forma, os barões do crime foram colocados na alça de mira da justiça, uma condição que, por si só, já representa grande avanço e merece comemoração.
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