Sentindo a convergência dos sinais indicando a aproximação da mão longa da Lei decorrente da liberdade e autonomia garantidos à Polícia Federal e à Receita Federal pelo governo Lula, os barões do crime se desesperaram e, ao custo de revelar a identidade de alguns dos seus padrinhos políticos, decidiram partir para o tudo-ou-nada.
Inicialmente, com o concurso de deputados-cúmplices, tentaram obter um salvo-conduto permanente através de uma PEC da Impunidade – um instrumento legal através do qual, se aprovado, colocaria os bandidos no exercício de mandatos parlamentares a salvo da lei e da justiça.
Embora tenha passado na Câmara dos Deputados, a iniciativa não resistiu ao clamor popular e soçobrou no Senado federal.
Vale dizer que, se a PEC da Impunidade tivesse sido aprovada, as eleições parlamentares de 2026 se converteriam numa espécie de trilha do paraíso para os bandidos brasileiros, pois, conquistado o mandato, independente da gravidade dos crimes cometidos, estariam à salvo da polícia e da justiça.
Agora, seguindo o princípio do ‘entregar alguns anéis para não perder os dedos’, dispostos a sacrificar os baixos escalões do crime entregando-os à sanha da polícia e insatisfeitos com o nível de influência já exercida junto aos governos, os barões que comandam o crime organizado no País decidiram se proteger através de outras formas e, mais uma vez, com o concurso de ‘políticos amigos’, tentam se colocar ao largo das investigações que lhes parecem mais perigosas.
De fato, parecendo cumprir um roteiro escrito pelo alto baronato do crime, agindo de forma articulada com o presidente Hugo Mota, o governador Tarcísio de Freitas liberou o secretário de segurança Guilherme Derrite para retornar à Câmara dos Deputados e assumir a relatoria do projeto-de-lei Antifacção cujo objetivo seria estabelecer o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado.
Pois bem.
Derrite reassumiu o mandato e, com o apoio do presidente Hugo Motta, chegou dizendo a que veio e, prontamente, desfigurou o projeto encaminhado pelo governo, propondo, por exemplo, barreiras para atuação da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público na investigação de crimes cometidos pelas facções criminosas – um verdadeiro refrigério para os barões do crime, que, todos sabem, não moram, não guardam e não investem o fruto do crime nas comunidades sujeitas às operações policiais.
Aliás, está mais do que claro que Guilherme Derrite é apenas o braço operacional de forças muito bem estruturadas e, nesta perspectiva, seu comportamento apenas comprova a promiscuidade do alto baronato do crime organizado com as principais lideranças das elites políticas e econômicas que comandam a FariaLima, o Bolsonarismo e outros segmentos da banda Direita do espectro político do Brasil.
Talvez os brasileiros precisem voltar às ruas para dizer NÃO ao crime e, para aproveitar a viagem, também dizer NÃO ao ‘Congresso Inimigo do Povo’.
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