Os Estados Unidos são um país fundado em bases extremamente flácidas, as quais atualmente podem ser resumidas por uma única palavra: Dólar (do qual brotam todas as suas expressões de poder, inclusive o militar). Como o Dólar é a grande ficção construída em Breton Woods na esteira da derrota do mundo na II Grande Guerra (um conflito global de muitos ‘Pirros’), o despertar das pessoas retira-lhe substância e o faz dissolver [retira a substância e dissolve do Dólar] como um torrão de açúcar na garoa.
A rigor, em natural consequência do seu jeito de ser, a debacle do Império já havia começado há tempos e, agora, com o impulso dado pelo (des)governo de Donald Trump, [o Império] parece seguir rapidamente para despencar no abismo.
O noticiário deixa esta situação muito clara, não só pelo aumento do número de países que passam a fazer negócios internacionais com outras moedas (especialmente a moeda chinesa Yuan), mas, também, pelo realinhamento diplomático.
Com efeito, a cada dia, o panorama internacional ganha contornos que mostram o progressivo isolamento dos Estados Unidos, em claro indicador de que seus tempos de potência hegemônica estão acabando.
Nas Américas, fora as republiquetas submetidas ao porrete de Monroe, os grandes países (Brasil, Canadá, México, Colômbia) estão se afastando de Washington.
Acontece o mesmo com a União Europeia, onde países importantes como Espanha, Itália, Dinamarca e França já proclamaram o desejo de aumentar a distância do Tio Sam (o presidente Pedro Sanches já bateu boca com Donald Trump abertamente, a primeira-ministra Giorgia Meloni proibiu o pouso de avião militar estadunidense no território da Itália, a primeira-ministra Mette Frederiksen disse que a Dinamarca pegará em armas para defender a Groenlândia de uma invasão dos Estados Unidos, o presidente Emmanuel Macron retirou as 129 toneladas de ouro que a França mantinha em cautela no Banco da Reserva Federal de Nova York, provavelmente por acidente um incêndio atingiu a base RAF Fairford na qual os Estados Unidos estaciona os seus poderosos bombardeios B-52).
No Oriente, ao tempo que a China continua sua política externa de cultivar parcerias por todo o planeta, em encontro com o ministro russo da Defesa Andrey Belousov, o líder norte-coreano Kim Jong-un declarou o apoio do seu país a Rússia.
Ao que parece, o processo de esgarçamento do poder dos Estados Unidos está ganhando tração no curso da desastrosa guerra inventada por Trump contra o Irã. Fato acontecido em 25 de abril de 2026 elucida muita coisa sobre a atual quadra vivida pelo Estados Unidos: em reação a ausência dos negociadores estadunidenses nas conversações de paz determinada por Donald Trump, o chanceler Abbas Araghchi deixou Islamabad e, juntamente com sua comitiva de alto nível, seguiu para Moscou, onde foi recebido pelo presidente Vladimir Putin em conversa que redundou num acordo de ajuda mútua, incluindo cooperação econômica, tecnológica e militar.
Resultado, ao tempo que os Estados Unidos mais se afastam, com ajuda da Rússia, o Irã reforça as suas capacidades e contorna as sanções que lhes foram impostas pelo Tio Sam.
Em resumo: enquanto os países se aproximam e firmam novas parcerias reconfigurando as alianças globais, os Estados Unidos continuam a agredir, ameaçar, cobrar submissão e obediência às vontades de Washington, estreitando sua visão cada vez mais.
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