Ao contrário daquilo que muitos (impulsionados pela bem sucedida campanha de desinformação sobre o tema) acreditam e repetem, Democracia NÃO é uma forma de escolha de governo. DEMOCRACIA É UMA FORMA DE GOVERNO (o governo ‘do povo, pelo povo e para o povo’ como bem ensinou Abraham Lincoln no famoso discurso de Gettysburg).
Acontece que, sujeita a muitas corruptelas criadas para negar a sua essência (como, por exemplo, a tal ‘democracia representativa’, que a transfigura em uma ‘aristocracia democrática’ – mas isso é outra história), as elites insistem em reduzi-la a um mero método de escolha – para aquela gente, se o mandatário emergiu de ‘eleições democráticas’, independentemente da forma como exerça o mandato, pode ser considerado ‘democrático’.
Nesta perspectiva, as eleições funcionam como uma espécie de sacramento-condão capaz de conceder o status de ‘democraticamente eleito’ aos escolhidos e, nesta condição, dar-lhes um salvo-conduto para agir segundo seu próprio livre-arbítrio até a próxima eleição, creditando, assim, um caráter de oba-oba aos mandatos.
Por atender aos interesses das elites (e por não ferir o entendimento das cabeça-feitas por elas mesmas), esta interpretação (associada à certeza de que, enclausurados em bolhas de desinformação, os eleitores são marcados por uma espécie de oligofrenia política) [esta interpretação da Democracia] libera muitos políticos para dedicar os mandatos exclusivamente a satisfação dos seus próprios interesses e daqueles que pagam as suas contas.
Esta condição explica, por exemplo, a posição contra a redução da jornada 6×1 tomada pelos parlamentares do Centrão e da extrema-direita, os quais, na contramão do desejo das massas trabalhadoras, chegaram a apresentar uma emenda à PEC 221/2019 (que propõe o fim da jornada escravocrata), criando brechas para jornadas de 52 horas semanais e estabelecendo que a redução da jornada de trabalho só entre em vigor 10 anos após a publicação de lei neste sentido.
O interessante é que, em claro indicador das forças a que devem obediência, a mídia corporativa trata o assunto com naturalidade, como se este tipo de procedimento não ferisse a Democracia (será que, de alguma forma, um atentado ao bem estar dos trabalhadores se enquadra na fórmula ‘governo do povo, pelo povo, para o povo’?).
Aliás, no contrapé desta postura, entortando a cara como se estivesse diante de um crime contra a Democracia, a mídia corporativa costuma desqualificar atitudes em favor dos interesses do povo, a elas se referindo de forma pejorativa, como ‘populismo’ ou ‘gesto eleitoreiro’.
No entender das elites, aqueles que seguem a fórmula ‘do povo, pelo povo e para o povo’ não praticam Democracia e, além disso, suas atitudes devem ser encaradas como ‘gestos eleitoreiros e/ou populistas’.
De qualquer forma, alertadas para as corruptelas usadas pelas elites para descaracterizar o significado da Democracia (e dos democratas), a banda pensante da sociedade costuma tratar com desdém as opiniões que consideram os gestos em prol do povo como ‘populismos’ e/ou ‘gestos eleitoreiros’), ojeriza o repúdio das elites ao ‘governo do povo, pelo povo e para o povo’.
Neste embalo, comentários que tentam condenar a preocupação com o bem-estar social como comportamento ‘eleitoreiro’ ou ‘populista’ se perdem na efemeridade da espuma produzida pelas campanhas publicitárias mal-intencionadas e, cedo ou tarde, [as preocupações e ações] terminam por serem reconhecidas como gestos próprios (e necessários) da Democracia.
Não é outra a razão do reconhecimento popular da forma democrática como Lula governa o Brasil.
Todos os mandatários deveriam permanentemente se comportar como se estivessem às vésperas da eleição das suas vidas.
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