2ª feira, 31 de agosto de 2026.
Em abril de 2025 durante entrevista à Fox News sobre a orientação recebida do presidente Donald Trump para as Américas do Sul e Central, o secretário da Guerra dos EUA Pete Hegseth disse, alto e bom som, “vamos retomar nosso quintal”.
Ele falava sério.
Pela divisão do trabalho estabelecida pela Casa Branca, caberia ao secretário da Guerra Pete Hegseth cuidar da parte pesada (pressão e, se fosse o caso, intervenção militar, como aconteceu na Venezuela em 03 de janeiro de 2026) e ao secretário de Estado Marco Rubio [caberia] cuidar da parte soft (tomada do poder por métodos ‘gentis’).
E cada um tratou de trabalhar. Pouco a pouco, as Américas do Sul e Central foram sendo pintadas com as cores da bandeira estadunidense.
Onde quer que houvesse eleição, assim como ocorrera na Argentina, a vitória sorria para candidatos simpáticos aos Estados Unidos.
Neste embalo, como numa brincadeira com dominós, tombaram o Chile, Honduras, Paraguai, Colômbia, Peru, El Salvador e Bolívia (o Brasil escapou da avalanche ultraconservadora por conta da força de Lula).
E, assim, tendo reduzido a Democracia a um mero sistema de escolha de governo e colocado o Brasil como ‘a próxima meta a conquistar’, Donald Trump e seus partidários passaram a se referir ao ‘quintal dos EUA’ como uma região ‘quase livre do comunismo’. Aí veio a prisão do publicitário argentino Fernando Cerimedo e parte do segredo do sucesso de Marco Rubio foi revelado.
Com efeito, veio à público que, sob a orientação direta de Marco Rubio e com o suporte material da CIA, o tal Fernando Cerimedo organizou grandes fazendas de bots, para interferir nas eleições através do disparo em massa de campanhas de fakenews, difamações, calúnias contra quem ousasse se opor aos interesses do Tio Sam.
Não ocorre, portanto, sem razão a enxurrada de pedidos de investigação para apurar a interferência externa nas eleições presidenciais ocorridas na região.
Na Colômbia, o ex-presidente Gustavo Petro denunciou uma operação com mais de 2 milhões de bots e perfis falsos para manipular os eleitores nas recentes eleições. No Chile, a mídia se referiu a ‘maior fraude eleitoral da história do país’, citado mais de 50 mil contas falsas e fazendas de bots coordenadas por Cerimedo.
Esta é a razão de ele ser tão festejado pela extrema-direta (Fernando Cerimedo foi recebido por Donald Trump, fazia parte da equipe de Javier Milei e esteve entre os convidados de honra na posse de Keiko Fujimori).
Explicando o sistema usado pela extrema-direita para avançar no ‘quintal dos Estados Unidos’, a ação de Fernando Cerimedo dá justificativa à decisão do presidente Daniel Ortega, o qual, em julho de 2026, com o objetivo de proteger a Democracia da Nicarágua desses abutres da política, anunciou o cancelamento das eleições presidenciais.
Como desmontou os planos da turma de Marco Rubio, a decisão do presidente Daniel Ortega despertou urticárias na Casa Branca.
Contando com o eco da mídia ocidental e apoio dos inocentes úteis de pouca profundidade, além de acusar o presidente Daniel Ortega de ser anti-democrático, os manipuladores e espertalhões trataram de exigir a realização de ‘eleições livres’ (é assim que os abutres da Democracia chamam os pleitos que possam manipular sem problemas) na Nicarágua.
Quem quiser que entre nesta esparrela. Além de não garantir a escolha de um governo democrático (aquele do povo, pelo povo e para o povo), uma ‘eleição livre’ não pode estar sujeita às manipulações dos ‘Cerimedos da vida’.
Daniel Ortega tem razão.
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