A sujeira é muito grande e não para de crescer.
Ontem, convencido de que as falcatruas começaram nos tempos de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto e estarrecido com o teor das conversas e das mensagens apuradas na descriptação do telefone do trambiqueiro Daniel Vorcaro, o diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues pediu para ser recebido imediatamente pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Édson Facchin.
O diretor-geral tinha boas razões para isso, pois, além do envolvimento de senadores, deputados, governadores, prefeitos e outras autoridades nas três esferas de poder e nos três níveis da administração pública, apareceu com destaque a possível cumplicidade do ministro Dias Toffoli, que ainda no começo do escândalo avocou a relatoria do Caso Master para si.
Recebido horas mais tarde pelo presidente Edson Facchin, sob o sigilo permitido pelas paredes do Palácio da Justiça, o delegado Andrei Rodrigues contou tudo e pediu a suspeição do ministro Dias Toffoli para continuar à frente do caso.
Mas, não parou nisso, em entrevista concedida a poucos metros de distância, o presidente da comissão de assuntos econômicos do Senado Federal Renan Calheiros denunciou que o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), teria sofrido pressão do centrão para reverter a liquidação do Banco Master.
Coincidência ou não, àquele mesmo instante, a poucos quilômetros dalí, em medida que parece inspirada no famoso parecer Guilherme Derrite (que tentava condicionar a ação da PF à vontade dos chefões do crime), o ministro Jhonatan de Jesus proibiu o acesso do Banco Central ao processo referente ao Banco Master, condicionando-o a sua expressa autorização.
Enquanto isso, o caso Master se espalha pelo Brasil, indicando que a sociedade está muito longe de saber sobre aquilo que sustenta a parte não visível do iceberg – no Balneário Camboriú, meca dos bilionários e trambiqueiros, a terceira fase da Operação Barco de Papel (que apura crimes contra o sistema financeiro na gestão do Rioprevidência) chegou a um condomínio de luxo, levando a que um dos bandidões jogasse uma mala com R$ 480 mil pela janela; no Amapá, espelhado na atitude do Diretor Jurídico do BRB, o Presidente da AMPREV (o fundo previdenciário do Amapá) também pediu demissão do cargo; até o início de fevereiro de 2026, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já havia pago mais de R$ 36 bilhões a credores do Banco Master.
Não há dúvida de que, sob todos aspectos, o Caso Master constitui um dos maiores escândalos da história do País.
www.alexandresanttos.com.br
a reprodução é permitida e desejável, preferencialmente com a citação da autoria
