A pesquisa sobre a missão do Banco Central responde “Garantir a estabilidade do poder de compra da moeda, zelar por um sistema financeiro sólido, eficiente e competitivo, e fomentar o bem-estar econômico da sociedade” – algo que, na prática, vem sendo traduzido por “atender as expectativas do mercado financeiro”.
Esta interpretação ganha força com o desdém atribuído pelo Banco Central ao ‘fomentar o bem-estar econômico da sociedade’ citado na missão que diz cumprir.
Será que se, de fato, estivesse preocupado com o ‘bem-estar econômico da sociedade’, o Banco Central estabeleceria taxas de juros tão elevadas, encarecendo o crédito e, por tabela, dificultando o crescimento econômico e o bem-estar das pessoas?
Na realidade, o Banco Central concentra a sua preocupação em dar curso àquilo que a banca julga conveniente em relação à moeda do País.
O melhor sinal desta observação é o chamado ‘Boletim Focus’ – a imoralidade que norteia as suas decisões [decisões do Banco Central], que é elaborado a partir das expectativas e percepções do mercado financeiro em relação a indicadores econômicos, como índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic e outros.
É isso mesmo: o Banco Central toma decisões com base nas projeções do mercado financeiro (e não projeções formuladas por ele próprio ou por um grupo de universos interessados).
Assim, por todas as razões, o tal Boletim Focus é uma excrescência e, se quisesse mesmo cumprir a missão atribuída para si, o Banco Central deveria fingir que ele jamais existiu e, com vistas a orientar as suas decisões, criaria um mecanismo capaz de auscultar as vontades do governo e o sentimento do Povo.
Ao que parece, manter o Boletim Focus como farol orientador das decisões do Banco Central é uma das razões que justifica o zelo como as elites econômicas defendem a sua ‘independência’ (uma condição que, na prática, significa a subordinação do Banco Central às vontades do mercado financeiro).
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