Donald Trump parece ser uma dessas pessoas que tem como propósito de vida dizer (ou fazer) uma grande bobagem a cada dia, mantendo (diga-se de passagem) incrível regularidade.
Imagine que, ontem, aproveitando o clima despertado pela reunião de cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro, depois de ameaçar os países “que se alinharem às políticas antiamericanas dos BRICS”, esquecendo a soberania do Brasil (ou, justamente, para afronta-la de forma deliberada), Donald Trump resolveu se meter na vida interna do País e, em publicação na Truth Social (rede social de sua propriedade), atacou o governo e o Supremo Tribunal Federal (STF). “O Brasil está fazendo uma coisa terrível em seu tratamento do ex-presidente Jair Bolsonaro”, escreveu o oligarca, acrescentando que (na sua opinião) “ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo”.
Uma petulância deste tamanho não poderia ficar sem resposta e, poucas horas após o disparate, em entrevista concedida por ocasião do encerramento da cúpula dos BRICS, tratando o presidente norte-americano com a insignificância de quem sequer merece a citação do nome, Lula disse que “a defesa da democracia no Brasil compete aos brasileiros” e, em referência ao quadrúpede Jair Bolsonaro, lembrou que “ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o estado de direito”.
De qualquer forma, como esperado de alguém marcado pelo colaboracionismo, pela submissão e pela subserviência, Jair Bolsonaro exultou e, correu para agradecer àquele que julga seu patrão.
Depois, com um estranho ar de felicidade e, seguramente, duvidando que o STF tenha coragem para desafiar o presidente dos Estados Unidos, Bolsonaro comemorou a possibilidade de vir a ser inocentado nos processos a que responde e [ser] indultado das condenações que já lhe foram aplicadas.
Aliás, este episódio atiçou as esperanças da extrema-direita – especialmente porque, dando curso às suas costumeiras bravatas, Eduardo Bolsonaro (que mudou-se para os Estados Unidos para comandar os ataques ao governo brasileiro) disse que “a declaração do presidente Trump é apenas a primeira de outras ações que virão” -, e alimentou a tese já em circulação nas bolhas de desinformação de que ‘em 72 horas, os matines invadirão Brasília para capturar Lula e colocar Bolsonaro de volta na presidência da república’.
No mundo real, no entanto, sem descartar o projeto de desgaste do governo progressista do Brasil, a Casa Branca avalia que, tendo em vista a liderança mundial por ele exercida, não é bom provocar Lula…
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