A falta de confiança é uma das razões da dificuldade enfrentada pelos progressistas com a turma da Direita. Com efeito, ao uso sistemático de argumentos falaciosos construídos sob a égide de fakenews se somam vastos quinhões da desonestidade intelectual que torna corriqueira a adoção de dois-pesos-duas-medidas para apreciar fatos semelhantes, produzindo narrativas cujo objetivo é explicar o inexplicável e levar as pessoas ao erro e ao engano.
No fundo, estas duas condições se misturam para criar um modo especial de ver e descrever o mundo, tornando quase que impossível a conversa entre as duas bandas.
Veja, por exemplo, o contraste do silêncio mantido pela Direita diante da aprovação pelo Knesset de moção para anexar a Cisjordânia ao estado de Israel com a histeria por ela gritada [gritada pela Direita] quando o governo de Nicolas Maduro fez valer o Tratado de 1899 e anunciou a anexação da região de Essequibo ao território da Venezuela. Ou – lembrando que, quando Lula estava injustamente preso nas dependências da Polícia Federal em Curitiba, a turma da Direita exigiu sua transferência para a Penitenciária de Tremembé na condição de ‘preso comum’ -, [veja] o escândalo feito pela turma da Direita diante das medidas restritivas aplicadas a Jair Bolsonaro.
Mais do que desconhecimento, o uso do tratamento ‘dois-pesos-duas-medidas’ em ambiência permeada por fakenews revela desonestidade intelectual incompatível com a postura de quem diz querer uma ‘conversa séria’, dificultando sobremodo o convívio dos progressistas com a população embolhada pela extrema-direita.
Não é fácil conversar seriamente com aquela turma.
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