Antes de fazer uma escolha, a pessoa precisa eleger critérios para amparar sua decisão.
Se, por exemplo, vai contratar garotas para animar uma festa do cabide marcada pela lascívia, talvez o critério mais adequado seja a permissibilidade ou o histórico de depravação das candidatas (a contratação da mulher-santa ideal para fazer a mentoria de alunas num convento, por exemplo, seria um erro imperdoável); se, a intenção for escolher alguém para casar, o melhor é esquecer critérios e entregar a decisão ao coração, deixando-se levar pelo amor. Um homenzão bruto talvez sirva como guarda-costas de um bicheiro, mas não seria adequado para a função de maitre ou mordomo.
Existem critérios diferentes para objetivos diferentes. Nesta perspetiva, antes de eleger critérios para as escolhas, há a necessidade da perfeita definição dos objetivos pretendidos.
Vale registrar que, embora pareçam óbvias e se apliquem a todos os aspetos da vida, diante de assuntos que envolvem as paixões ou os valores profundamente inculcados nas pessoas, estas observações costumam perder a razão de ser, passando ao largo das suas preocupações [das preocupações das pessoas].
Naturalmente, assim como ocorre em alguns casamentos, as decisões baseadas exclusivamente nas paixões ou nos preconceitos podem levar a escolhas diametralmente opostas a desejos de ‘boa’ companhia ou ‘bom’ pai/mãe, etc. (mas, isto é outra história).
Estas considerações iniciais são essenciais para o entendimento das pesquisas de intenção de voto que surgem de vez em quando por aí.
Talvez, para um cumprir um papel mais útil à sociedade, antes de fazer perguntas sobre a intenção de voto, as pesquisas deveriam cuidar daquilo que as pessoas esperam do presidente da república (ou do governador, senador, deputado, etc).
As pessoas gostariam que o presidente da república tivesse quais preocupações objetivas (preocupação objetiva é aquela tratada com providências para a sua superação)? Quer aumentar o nível de renda dos mais pobres? Quer gerar melhores condições de vida para os mais velhos? Quer investir na educação para melhor preparar a juventude para o trabalho e para a vida? Quer fortalecer a economia e a diplomacia?
Só depois de saber aquilo que esperam do eleito, as pessoas estão em condições de responder a questões sobre em quem querem votar.
Com efeito, tendo vivido os governos de Lula e de Bolsonaro – tendo condições, portanto, de compara-los -, o que leva uma pessoa a preferir votar em Flávio Bolsonaro? Ao que parece, neste caso, a escolha deixa o campo da racionalidade e envereda o espaço das paixões (preconceito contra Lula ou amor por Bolsonaro), pouco importando a compatibilidade do eleito com as suas próprias necessidades, desejos e conveniências.
Na realidade, os institutos que realizam as pesquisas de intenção de voto pouco estão preocupadas com as necessidades, desejos e conveniências dos eleitores, querem apenas vender serviços e, nesta perspectiva, sabem que, no fundo, o seu propósito [das pesquisas] é de natureza publicitária, podendo, naturalmente, serem usadas para as escolha de candidatos e para reforçar paixões.
Da minha parte – da mesma forma que sei porque um pobre-de-direita, entreguista e masoquista escolhe não votar em Lula -, não sei como uma pessoa que quer o Brasil mais próspero, poderoso e respeitado pelo mundo e que quer o povo brasileiro mais saudável, educado, culto, amparado, seguro, rico e feliz pode escolher um candidato que não seja Lula.
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