Aquilo que antes era uma bandeira eleitoral da Direita brasileira, agora virou uma renhida luta pela sobrevivência.
De fato, quando perceberam o avanço da polícia federal sobre territórios até então sagrados e, até então, inexpugnáveis – conforme ficara claro na Operação Carbono Oculto, que atingiu alvos na FariaLima e na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar o Crime Organizado -, os chefões do crime no País (que, em muitos casos, se confundem com os mentores da extrema-direita brasileira) ficaram apavorados e mobilizaram sua tropa-de-choque na política.
A ordem foi simples e direta: ‘Tirem a Polícia Federal do nosso encalço’.
O barata-voa aumentou quando, demonstrando visar o chamado ‘andar de cima’, o governo Lula mandou para a Câmara dos Deputados o PL Anti-Facção, cujo objetivo era fortalecer a Polícia Federal, descapitalizar o crime, apreender bens advindos da atividade criminosa e debelar quadrilhas.
O pavor das elites criminosas foi tão grande que, mesmo arriscando algum prejuízo no médio prazo, forçaram alguns dos seus prepostos a se expor publicamente.
Neste embalo, após prévios entendimentos com os colegas Arthur Lira, Hugo Motta e Eduardo Cunha, o governador Tarcísio de Freitas licenciou o mão-suja Guilherme Derrite da secretaria de segurança de São Paulo e o despachou para Brasília com a missão de proteger os interesses dos ‘patrões’ (é assim que eles chamam os colegas situados no topo da estrutura do crime).
E, assim, com a celeridade mostrada nos meios de comunicação, Derrite reassumiu a cadeira de deputado federal, foi imediatamente designado para relatar o projeto-de-lei encaminhado pelo governo Lula e, sem qualquer demora, apresentou o substitutivo recebido no Palácio dos Bandeirantes, convertendo o PL Anti facção em PL Pró facção – uma proposta descarada com o nítido propósito enfraquecer a Polícia Federal e dificultar a apreensão de bens adquiridos através do crime e descapitalizar os Fundos Federais de enfrentamento ao crime.
Apesar a resistência dos parlamentares anticrime, com o decidido apoio do presidente Hugo Motta, do Centrão e das bancadas da Bíblia, do Boi, da Bala e das Bets, com 370 votos favoráveis 110 [votos] contrários, o Crime Organizado aprovou o substitutivo Derrite-Tarcísio (que, caso convertido em Lei, ficará conhecido como Marco Pró Facção do Brasil).
Tendo cumprido seu compromisso com os ‘patrões’, Hugo Motta encaminhou o PL Pró Facção para o Senado no mesmo dia.
Aí é outra história.
O Povo Brasileiro espera que, assim como fez com a PEC da Impunidade, o Senado salve o País da bandidagem e reconverta o monstrengo saído da Câmara dos Deputados numa lei verdadeiramente Anti facção, conforme o desejo original do Palácio do Planalto.
Vamos esperar com os dedos cruzados…
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