Segundo os dicionários, ‘Dosimetria’ é o processo pelo qual um juiz estabelece a quantidade exata de punição (tempo de prisão, multa, etc.) para uma pessoa condenada.
Para os leigos, a tal Dosimetria passou a ser sinônimo da pena aplicada aos condenados.
Pois bem.
Em 11 de setembro de 2025, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. Quase seis meses depois, em 25 de fevereiro de 2026, a mesma Turma do STF condenou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão pelo mando dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes (ocorridos em 2018) a 76 anos e 3 meses de prisão (para cada um).
Entendo nada de Dosimetria, mas, sinceramente, acho que há alguma coisa errada na ‘dose’ aplicada a estes bandidos.
Os juristas dizem que 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado são suficientes para penalizar os crimes de Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito, Golpe de Estado, Associação Criminosa Armada, Dano qualificado e Deterioração de Patrimônio Tombado praticados por Jair Bolsonaro e, noutra decisão que 76 anos e 3 meses de prisão em regime fechado são adequados para penalizar os crimes de Duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio (contra a assessora Fernanda Chaves) e organização criminosa armada cometidos pelos irmãos Brazão.
Tem coisa errada nesta Dosimetria.
Se os crimes cometidos contra Marielle Franco, Anderson Gomes e Fernanda Chaves pelos irmãos Brazão merecem 76 anos de prisão, por que os crimes cometidos por Jair Bolsonaro contra a Democracia e contra toda a Nação brasileira merecem apenas 27 anos de prisão?
Na Coreia do Sul, em sentença proferida em 19 de fevereiro de 2026 pelo Tribunal do Distrito Central de Seul, o ex-presidente Yoon Suk-yeol foi condenado à prisão perpétua por liderar uma insurreição (em 3 de dezembro de 2024, ele decretou a lei marcial com objetivo de tentar um golpe de Estado).
Os crimes contra a Democracia são os mais graves e naturalmente merecem Dosimetria severa. Bolsonaro deve se considerar um homem feliz, pois se tivesse feito na Coreia do Sul aquilo que fez no Brasil, estaria condenado por outra Dosimetria.
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