Os dicionários ensinam que a palavra ‘terrorismo’ é um substantivo masculino que significa o ‘modo de impor a vontade pelo uso sistemático do terror’, o ‘emprego sistemático da violência para fins políticos’ ou, ainda, ‘a prática de atentados e destruições por grupos cujo objetivo é a desorganização da sociedade existente com vista a tomada do poder’, caracterizando, portanto, aquilo que Israel faz em Gaza ou aquilo que os Estados Unidos fazem no Irã (ou em qualquer lugar onde deseja a Casa Branca).
Aliás, pelos ensinamentos dados pelos dicionários, a Casa Branca seria a maior organização terrorista do Planeta.
Pois bem.
Assim como fazem com outras palavras e práticas – como ‘manutenção da Democracia’, ‘combate ao narcotráfico’, ‘combate à corrupção’, ‘combate às drogas’, ‘segurança nacional’, etc. -, os Estados Unidos elegeram o ‘combate ao terrorismo’ ao rol das doutrinas de dominação às quais recorrem para justificar as intervenções que fazem mundo afora (escolhendo aquela que melhor se aplica a cada caso).
Desta forma, quando querem invadir algum lugar para assumir suas riquezas, a Casa Branca inventa um motivo enquadrado nalguma das doutrinas de dominação e a usam para justificar a sua ação (na Venezuela, onde o motivo foi o controle do petróleo, a doutrina usada foi o ‘combate ao narcotráfico’; no Irã, onde o desejo combina a segurança de Israel, o petróleo e o controle do Estreito de Osmuz, a doutrina usada foi a ‘segurança nacional’).
Nos dias correntes – de olho nas riquezas do Brasil (petróleo, água, biodiversidade, mercado, etc.etc.) – os Estados Unidos estão a procura de um motivo que o enquadre nalguma das doutrinas de dominação para justificar uma intervenção militar dos marines.
Neste sentido, contando com a orientação e estímulo dos Bolsonaro, inicialmente levantou a tese da ‘defesa da Democracia’ com base nos processos judiciais e deu os primeiros passos da intervenção impondo um tarifaço de 50% e sanções contra autoridades. Depois, ao saber do bombardeio de barcos pesqueiros da Venezuela sob a justificativa do ‘combate ao narcotráfico’, Flávio Bolsonaro disse que os Estados Unidos deveriam estender os ataques à baia da Guanabara, onde, segundo ele (segundo Flávio) haveriam muitas embarcações a serviço do tráfico.
Agora, sob aplausos do bolsonarista Tarcisio de Freitas, os Estados Unidos estão tentando enquadrar o Brasil numa outra doutrina de dominação – o ‘combate ao terrorismo’ e, sem qualquer amparo legal ou teórico (até porque, do alto da arrogância própria dos estadunidenses), o governo de Donald Trump anunciou a intenção de classificar as organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na categoria (inventada por eles) de ‘organização terrorista’ e, assim, adquirir as condições exigidas nas leis criadas no âmbito da ‘Guerra ao Terror’ (declarada unilateralmente por George W. Bush ao mundo) para fazer incursões militares no Brasil.
Embora esta grave ameaça a soberania do País faça a festa da extrema-direita tupiniquim, o governo brasileiro já se prepara para o pior. Foi neste sentido que, por estes dias, em solenidade com a presença do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, o presidente Lula avisou que “o Brasil precisa fortalecer sua capacidade de defesa diante do cenário internacional para evitar invasões”.
Sei que os Bolsonaro’s, os bolsonaristas e os bolsominions não concordam, mas a banda pensante da sociedade brasileira considera que a prosperidade, o bem-estar social, o desenvolvimento científico e tecnológico e a soberania são aspectos fundamentais da Democracia e, nesta condição, elementos inalienáveis da brasilidade.
Viva o Brasil!!! Abaixo o entreguismo! Abaixo o colaboracionismo! Cadeia para os quinta-colunas! Gringo go home!!!
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