Sob a presidência de um certo José Hiran da Silva Gallo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) alinhou-se à banda direita do espectro político brasileiro e escancarou as contradições trazidas desde o berço ou adquiridas ao longo da vida pelos profissionais regidos por batuta conservadora e reacionária que atuam na medicina, incorporando valores elitistas e, às vezes, contrários ao Juramento de Hipócrates.
Este víeis ganhou mais nitidez no governo de Jair Bolsonaro, em plena pandemia de coronavírus, quando, em gesto classificado como negacionista pelos homens das ciências, tentou dar suporte ‘intelectual’ à Nota técnica no general-ministro da Saúde Eduardo Pazzuello e, contrariando a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a comunidade científica, ao tempo referendou o uso da hidroxicloroquina no tratamento da infecção, questionou a segurança das vacinas.
Agora, cumprindo um script escrito pelos escalões superiores da extrema-direita, com o nítido objetivo de obstruir procedimentos judiciais e constranger a Polícia Federal (PF) e o Supremo Tribunal Federal (STF), usurpando poderes alheios, o Gallo distribuiu nota colocando em dúvida a salubridade das instalações que acomodam o prisioneiro Jair Bolsonaro na Superintendência da PF, em Brasília, e (pasme) determinou a abertura de uma sindicância do Conselho Federal de Medicina para “apurar a suposta falha de assistência médica ao ex-presidente Jair Bolsonaro”.
Coitado!
O Gallo bateu de frente com o ministro Alexandre de Moraes, o qual, sem pensar duas vezes, não só tornou sem efeito a providência administrativa do CFM, mas, também, determinou que o próprio Gallo] explicasse à PF a base legal da sua decisão.
A forma como o Gallo trata o conselho dos médicos envergonha os profissionais e a própria medicina do Brasil.
Acho que a investigação levada adiante pela PF deveria ser a mais rigorosa possível, de modo a enquadrar o Gallo em todos os dispositivos legais por ele violados.
Este Gallo precisa ser ensinado a não envergonhar um conselho profissional tão sério como o CFM e a não colocá-lo a serviço de interesses espúrios.
Leia mais em
www.alexandresanttos.com.br
a reprodução é permitida e desejável, especialmente se a fonte for citada
