Causando nenhuma surpresa, mais uma pessoa foi dispensada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de comparecer a uma comissão parlamentar de inquérito para prestar depoimento e ser inquirida.
Desta vez, o ministro Gilmar Mendes dispensou a empresária Leila Pereira de depor na CPMI do INSS. Naturalmente, os senadores e deputados ficaram tiriricas e alegam prejuízos para os trabalhos da comissão.
Maior decepção sentem aqueles que assistem as transmissões das reuniões das comissões parlamentares – encontros quase sempre muito esclarecedores e sempre muito divertidos, os quais, ao tempo que deixam vir a tona informações normalmente abafadas pela polícia ou pela mídia, mostram o lado circense e hipócrita de muitos parlamentares.
Na realidade, as sessões das cpi’s são momentos nos quais, agindo como policiais brutos, os parlamentares tentam humilhar os inquiridos como se a arrogância pudesse limpar os seus próprios pecados.
É claro que, nas encenações, alguns levam a pior.
Falando como se tivesse sido um juiz sério, o marreco Sérgio Moro, por exemplo, tentou humilhar o hacker Walter Delgatti Neto, chamando-o de bandido e levou uma bela invertida – ‘conheço a sua vida e posso garantir que o senhor é mais bandido do que eu’, Delgatti calou Sergio Moro (que preferiu não dar a chance para o hacker contar seus podres).
Igual a este episódio, existem muitos nas histórias das cpi’s.
Outro dia, como se nunca tivesse sido pego ‘com a boca na botija’, aos berros indignados, o pastor-deputado Sóstenes Cavalcante abriu a boca para dar lição de moral nos outros parlamentares e esbravejou até ser calado por aqueles a quem queria humilhar pela exposição de fotografias do dinheiro sujo descoberto no seu apartamento funcional (na ocasião, desmascarado, Sóstenes botou o rabo entre as pernas e saiu de fininho).
Se fossem tratadas com respeito e os parlamentares não fossem tão exibicionistas e arrogantes com os convidados, talvez o STF não os dispensassem de comparecer às CPIs com tanta frequência. De qualquer forma, embora não perturbe o funcionamento de eventuais inquéritos policiais em andamento, a dispensa de convidados torna as reuniões das comissões menos interessantes.
Confesso que gostaria de ver figuras como Daniel Vorcaro exposto a um daqueles circos (provavelmente, da mesma forma que aconteceu com Sérgio Moro depois de ser desmoralizado por Delgatti, os artistas das cpi’s também ficariam amofinados com medo das informações sabidas por Vorcaro).
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