Alguém registrou que o disparo de apenas um daqueles mísseis disparados às centenas pelo governo de Israel contra o Irã custou cerca de US$ 10 milhões. É muito dinheiro, indicando que o dinheiro destinado à destruição naqueles 12 dias de guerra seria suficiente para matar a fome de milhões de pessoas durante vários meses.
Na visada inversa, o dinheiro gasto na guerra indica a inclusão de vários zeros no saldo bancário dos ‘mercadores da morte’ – uma abastada e pouco comentada comunidade integrada pela indústria armamentista e por traficantes de armas de diversos portes e categorias.
Aliás, dizem (e ninguém tem razão para discordar da conclusão) que a insaciável gula desta comunidade [dos mercadores da morte] é uma das principais razões da existência de tantas guerras e conflitos armados pelo mundo (entre as outras razões das guerras, muitas se baseiam no egoísmo de gente que já tem muito e, sem controlar a gula, quer tudo para si – mas isto é outra história).
Agora, nesta 4ª feira, dia 25 de junho de 2025 – animados com o impulso recebido com a guerra no Leste Europeu, com o genocídio em Gaza e com as escaramuças Israel-Irã e na África -, os mercadores da morte conseguiram uma grande vitória.
De fato, pressionados pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump (que ameaçou ‘abandonar a Europa Ocidental aos russos’), cada um dos 32 países que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se comprometeu a até 2035 destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para ‘gastos com defesa’. Foi um dia de festa para os mercadores da morte.
“Unidos diante de ameaças e desafios profundos à segurança, em particular a ameaça de longo prazo representada pela Rússia à segurança euro-atlântica e a ameaça persistente do terrorismo, os Aliados se comprometem a investir anualmente 5% do PIB em requisitos essenciais de defesa, bem como em gastos relacionados à defesa e à segurança, até 2035, para garantir nossas obrigações individuais e coletivas, conforme o Artigo 3 do Tratado de Washington”, diz a Declaração da Cúpula de Haia assinada pelos chefes de Estado e de Governo.
Traduzindo para os leigos, o acordo dos engravatados diz que, sacrificando o bem-estar social e o enfrentamento às mudanças climáticas, a Europa vai garantir recursos para a Guerra. Em resumo: o povo pode até morrer de fome e de frio, mas os mercadores da morte não podem deixar de ganhar dinheiro.
Cruz credo!
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