Ontem, dia 11 de dezembro de 2025, poucas horas após a bancada dos Bolsonaristas e o Centrão negarem os votos necessários para a cassação e – desdenhando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar a deputada Carla Zambelli em função das suas condenações à prisão fechada pela invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela perseguição armada a um jornalista em São Paulo -, a Câmara dos Deputados manter o mandato da deputada Carla Zambelli, o ministro Alexandre de Moraes chamou o feito à ordem e recolocou o trem nos trilhos.
Com efeito, apontando as ilegalidades e inconstitucionalidades da ‘decisão’, o ministro Alexandre de Moraes anulou a votação realizada pela Câmara dos Deputados e deu prazo de 48h para a posse do suplente da deputada federal Carla Zambelli.
Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes lembrou que, em casos como o de Carla Zambelli (nos quais o tempo da condenação à prisão em regime fechado excede àquele que falta para o término do mandato), há a perda automática do mandato, condição que deve ser decretada pelo “órgão que exerce a função jurisdicional”.
Por não saber disso, o deputado-presidente Hugo Motta passou mais esta vergonha.
A grande realidade é que, infelizmente, a Câmara dos Deputados abriga um número muito grande de deputados-ogro, desses que não conseguem compreender o alcance das Leis e dos mecanismos reguladores da vida institucional.
De tão obtusos, um grupo de deputados ainda não conseguiu entender o acontecido e acredita ter havido afronta a uma ‘decisão soberana da Câmara’ e, mais ainda, ‘um ato de usurpação institucional’.
De qualquer forma, ao passar vergonha, a Câmara dos Deputados faz o Brasil também passar vergonha. Talvez seja o caso de as casas parlamentares reforçarem o aparato de assessores especializados em Direito.
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