Os Estados Unidos adoram a guerra e fazem dela uma espécie de projeto de governo, não apenas para satisfazer preocupações políticas, ideológicas e geopolíticas, mas, também para gerar os negócios necessários para a expansão e prosperidade da sua imensa indústria armamentista.
Sem medo de errar qualquer um pode afirmar que ‘nos últimos cem anos, não houve um único dia no qual um soldado estadunidense não tenha disparado pelo menos um tiro em território estrangeiro’.
De fato, eles sempre estão em guerra de forma direta ou indireta.
Relatórios apontam com precisão quantas guerras foram vividas pelos diversos presidentes estadunidenses, indicando inclusive quem as começou.
Aliás, vale dizer que, ao sentar no principal birô do salão oval da Casa Branca, a pessoa adquire um certo gosto por sangue – George W. Bush, que incendiou o mundo com a chamada ‘guerra ao terror’ e inventou um motivo mentiroso para invadir o Iraque, chegou a afirmar que queria entrar para a História como ‘o presidente da guerra’.
Na realidade, os estadunidenses adoram a matança e a destruição desde que ocorra em terras distantes – seja na Europa (na II Guerra Mundial), na Ucrânia, no Vietnã ou em qualquer lugar que não seja seu próprio país.
Talvez tenha sido por isso que os estadunidenses ficaram tão transtornados com os ataques de 11 de setembro de 2001, cujos alvos estavam em Nova York e Washington.
A guerra contra o Irã (que, diga-se de passagem, até hoje não foi declarada formalmente pelo Congresso, sendo, portanto, uma ‘guerra ilegal’), por exemplo, ocorre a 11 mil quilômetros de distância do território estadunidense.
De qualquer forma, como aparentemente não tem condições de bombardear alvos como a Casa Branca, a sede do Pentágono ou a Estátua da Liberdade, a Guarda Revolucionária do Irã está levando a guerra à casa do Tio Sam através de alvos mais próximos, como os petroleiros, as embaixadas, os navios e bases militares presentes nos países das redondezas.
Isto, no entanto, é muito pouco para ferir a sensibilidade da população estadunidense, já acostumada às guerras distantes.
Nestes casos (no caso das guerras distantes), só a chegada de corpos estadunidenses envelopados em sacos pretos parece sensibilizar a opinião pública do país (no caso da guerra no Vietnã, precisou morrer 52 mil jovens estadunidenses para o governo recolher o gosto pelo sangue alheio).
Esta forma de conviver com a guerra faz parte no chamado american way e explica o desrespeito pelo sentimento daqueles que sofrem e a naturalidade como festejam o Memorial Day.
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