Por muitas razões, inclusive pela capacidade de emitir dólares sem limites (condição que lhes dá a possibilidade de ‘fazer tudo aquilo que o dinheiro possa comprar’), os Estados Unidos desenvolveram uma arrogância insuportável.
Somada a outras características negativas, esta arrogância ajudou a construir um jeito-estadunidense-de-ser, chamado por alguns de american way, cujas expressões mais visíveis são a petulância, a violência, o desejo de mandar em tudo, a vontade de ser o xerife do mundo, enfim, o sonho imperial de colocar o mundo aos seus pés.
Assim, em certa perspectiva, os estadunidenses veem como coisa normal a intervenção dos marines em terras estrangeiras para ‘colocar as coisas no lugar certo’ (por ‘lugar certo’ entenda-se aquilo que atende aos interesses, vontades e conveniências da Casa Branca).
Vale dizer que, numa relação na qual causas e efeitos intercambiam posições para atender os interesses, vontades e as conveniências dos Estados Unidos, a Casa Banca não titubeia em classificar comportamentos alheios como ‘errados’ (ou mesmo, mentir de forma deslavada para inventar estes tais ‘comportamentos errados) para justificar a sua intervenção no estrangeiro (mesmo quando as verdadeiras intensões estejam colocadas de forma clara).
Foi assim, por exemplo, com o embargo a Cuba, com a invasão do Iraque, com o ataque à Venezuela e, agora, com a guerra ao Irã.
Naturalmente, além dos ataques militares, este jeito-estadunidense-de-ser se manifesta de diversas formas, pouco importando como e onde seja. Semana passada, por exemplo – deixando claro que, apesar de tudo aquilo que a diplomacia diz, o edifício-sede das Nações Unidas está construído em território estadunidense e, portanto, faz parte dele (do território dos Estados Unidos) -, durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o representante da Casa Branca Mike Waltz ameaçou o embaixador do Irã Amir Saeid Iravani, recomendando-lhe “ter mais cuidado com as palavras enquanto estiver em território americano”.
Os exemplos da sua arrogância extraterritorial, este fim de semana, os Estados Unidos exigiram que o Panamá barrasse a viagem do ex-ministro Franklin Martins à Guatemala para participar de um seminário, detendo-o numa conexão no Aeroporto Internacional de Tocumen e, na sequência, deportando-o de volta ao Brasil.
É hora de o mundo dar um basta no jeito-estadunidense-de-ser e isto só vai ser possível se o Dóllar deixar de ser considerado o eixo do sistema monetário internacional.
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