Sempre desconfie daqueles que se dizem ‘independentes’, pois, como as pessoas vivem em comunidade, elas sempre dependem de alguém ou de alguma coisa.
Nesta perspectiva, diante dos ‘independentes’, sempre cabe a pergunta sobre quais dependências condicionam a sua ‘independência’.
O Banco Central ‘independente’, por exemplo, é ‘independente’ do governo, mas é condicionado pelo humor e pela vontade do mercado financeiro (como atesta o Boletim Focus).
Há, no entanto, situações especiais que, de alguma forma e em certas circunstâncias, garantem um simulacro objetivo de ‘independência’ (ou, para os mais rigorosos, de ‘quase independência’).
Nesta situação se enquadram os inatingíveis e os desesperados (ou sem-esperança).
Com efeito, os inatingíveis e os desesperados (ou sem-esperança) gozam de uma liberdade especial, pois, dada a situação vivida no momento, não temem qualquer reação despertada pelas suas atitudes.
É o caso dos juízes (que desfrutam da proteção inerentes aos cargos ocupados) e [é o caso] daqueles cuja situação, de tão ruim, não pode piorar.
Veja, por exemplo, a altivez como, ao contrário das pessoas ‘normais’, os juízes estadunidenses enfrentam o todo-poderoso Donald Trump e, baseados na lei, revogam cortes das verbas, bloqueiam decreto de extinção da cidadania por nascimento nos Estados Unidos, confirmam a ilegalidade da mobilização da Guarda Nacional e dos fuzileiros navais para questões internas, suspendem restrições impostas a tribunais inferiores, etc.
Um bom exemplo de comportamento baseado na ‘liberdade dos desesperados’ é a decisão pouco repercutida pela mídia na qual, desdenhando o beicinho de Donald Trump, em revide à decisão da Casa Branca, o presidente venezuelano Nicolas Maduro ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões pela captura do líder dos Estados Unidos (para fazer jus ao dinheiro, o caçador precisa entregar Donald Trump vivo e saudável no Palácio Miraflores, em Caracas).
Muitas negociações fracassam porque, sem contar com a liberdade dos inalcançáveis e dos desesperados, os poderosos costumam ‘esticar a corda além do limite aceitável’, estimulando atitudes imprevisíveis e inviabilizando a possibilidade de qualquer acordo.
Leia mais em
www.alexandresanttos.com.br
