Ecoado pela voz dos pobres-de-direita e [pela voz] dos xurebas, o mantra liberal das elites por todas as partes do mundo afirma que os governos de índole humanista são ‘gastadores’ e dizem isto sob diversas formas.
No linguajar do mercado financeiro, por exemplo, ‘os esquerdistas só sabem gastar’. De fato, com olhos colocados no equilíbrio fiscal e sem admitir a possibilidade da maior tributação dos ricos, os liberais recomendam os famosos ‘cortes’.
Neste embalo, sem reconhecer qualquer mérito às despesas sociais (que são referidas pelos mais sábios como ‘investimentos sociais’), os mentores do liberalismo acusam os esquerdistas de praticar ‘populismo’.
Se os ricos fossem pobres e não tivessem dinheiro para pagar pelos bens que atendem as suas necessidades, eles pensariam de forma diferente.
De modo geral, há uma concordância geral de que todos têm direito a alimentação, moradia, assistência médica, segurança, etc.
Acontece que, no regime mercantilista no qual vivemos, nem todos dispõem de meios próprios para realizar aqueles direitos.
Aliás, como só uns têm dinheiro para pagar por moradias, alimentos, roupas, etc., num mundo desprovido de solidariedade, aos outros restariam as alternativas de passar fome, morar nas ruas, andar nus, etc.
Mas, impulsionada pela solidariedade, a Humanidade sabe que não pode entregar os despossuídos ao abandono, cabendo ao governo a obrigação de socorrer os necessitados.
Evidentemente, se quiser governar para todos, o governo necessita priorizar os mais pobres e, por razões óbvias, vai precisar gastar (ou investir) nisso.
Aliás, uma comunidade rica não precisa da ajuda para adquirir bens que, naturalmente, estejam ao alcance das suas posses.
O governo, então, deve concentrar a sua atenção no atendimento das necessidades daqueles cujas posse são hipossuficientes para aquisição dos bens requeridos.
Assim, quando governa uma comunidade pobre, o governo precisa se fazer presente em grande número de setores.
É nessa perspectiva que deve ser visto o investimento no fortalecimento do SUS e do ensino público, a criação de programas assistenciais como o Bolsa Família e tantos outros, a criação de programas como Minha casa, minha vida, Luz para todos, Pé de meia e tantos.
No governo Lula, como procura realizar a promessa de proteger os mais pobres, é grande o número de programas que procuram compensar problemas de renda.
Esta é a razão de o governo Lula ser acusado pelos ricos, pelas xurebas e pelos pobres-de-direita de ser ‘gastador’. O governo Lula tem razão (e precisa continuar assim), pois não é barato governar para todos.
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