Embora o chamado ‘humor do mercado’ seja capaz de mover montanhas, apontando os rumos para onde deve ser conduzida a opinião pública, a sociedade pensante sabe que aquele dado é apenas a vontade de três ou quatro ricaços – normalmente, sanguessugas que vivem de mamatas advindas do Estado, seja através de encomendas, seja através de subsídios, seja através de concessões e permissões de moralidade questionável.
Em última instância, o ‘humor do mercado’ significa o estado de espírito das elites (não dos xurebas, seres enfatuados que, com a pompa possível, replicam os ventos soprados pelas elites).
Não ocorre sem razão a situação já percebida há muito pela sociedade pensante na qual ‘o sofrimento dos pobres alegra o mercado’ ou ‘aquilo que alegra o Povo enfurece o mercado’.
É nesta perspectiva que deve ser interpretada a reação da FariaLima, tão bem traduzida pela linha editorial adotada pela grande mídia, cujo melhor extrato é oferecido pelos grupos O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo.
É neste desígnio que se enquadra a ferrenha oposição da grande mídia ao governo Lula.
Vale destacar que, como costumam exigir um padrão mínimo de bom comportamento à mesa, as elites já rifaram o nome do Capetão Jair Bolsonaro (entregando-o aos leões), e alçaram o governador Tarcisio de Freitas à condição de queridinho’.
De qualquer forma, para as elites, o mais importante é barrar qualquer movimento capaz de ameaçar a posição de destaque econômico e social que alcançaram em quinhentos anos de exploração.
Esta situação ganhou mais nitidez nos últimos dias, com a divulgação dos resultados apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Imagine que, apesar de toda a campanha adversa feita pela turma de Bolsonaro, das chantagens do Centrão e da postura não colaborativa do Banco Central, a economia brasileira vem experimentando um crescimento surpreendente – a alta do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre foi maior do que aquela alcançada pelos Estados Unidos, China, Rússia Alemanha, demais países da União Europeia, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do G7 (grupo que reúne as sete maiores economias do mundo); a taxa de desemprego baixou para 6,6%, a renda média atingiu o patamar R$ 3.057 mensais.
Mesmo assim, ao invés de comemorar o resultado e reconhecer que está lucrando muito com a arrancada econômica dada pelo governo Lula ao país, as elites estão amuadas.
Replicando o ‘humor do mercado’, a grande mídia, os banqueiros e (pasme) até o Banco Central estão manifestando ‘preocupação’ com o ‘aquecimento da economia brasileira’, apresentando-a como sinal de ‘inflação futura’.
É impressionante.
Ao tempo que os economistas do FMI e da OCDE voltam a se referir ao ‘milagre brasileiro’, a bolsa de valores de São Paulo caiu 1,09%, os jornais nacionais da vida manifestam ‘preocupação com as contas públicas’ e gente do Banco Central fala da necessidade de elevar a taxa selic ‘para desaquecer a economia.
Não há dúvida de que, no Brasil, há dois mundos paralelos (na realidade, há muito mais, mas isto é outra história): o mundo do Povo brasileiro e o mundo das elites.
O que é bom para o Povo não é bom para a elites e o que é bom para as elites certamente não é bom para o Povo.
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