Ontem, deixando cair mais dos milhares de véus que escondem as facetas malignas da Casa Branca, sem medir (ou medindo milimetricamente) as palavras e suas consequências, o presidente Donald Trump disse, alto e bom som, que tinha autorizado a Agência Central de Inteligência (CIA) a “realizar operações secretas com poder letal na Venezuela”.
A declaração de Donald Trump despertou imediatas reações. Ao tempo que, desmoralizando definitivamente o Comitê Norueguês do Nobel, a colaboracionista e entreguista Maria Corina Machado aproveitou uma entrevista com Donald Jr para instigar a invasão militar da Venezuela por tropas estadunidenses tendo como prêmio as reservas petrolíferas do Orenoco (as maiores do mundo), o Palácio Miraflores anunciava recurso ao Conselho de Segurança da ONU para impedir a ação do Tio Sam (uma providência inócua, pois, como todos sabem, os Estados Unidos só respeitam aquilo que lhes interessa).
De sua parte, numa ponta dos interesses envolvidos, o super-terrorista John Ratcliffe diretor-geral da CIA, começou a mobilizar seus cães de guerra e assassinos de aluguel para cumprir as determinações do chefão e, na outra [ponta], enquanto começava a preparar a população venezuelana para enfrentar os inimigos do país, Nicolas Maduro azeitava os contatos com os governos parceiros de acordos militares (Rússia, China, Irã e Coreia do Norte) para qualquer (e cada vez mais provável) eventualidade.
O interessante é que o mundo assiste a movimentação belicosa e agressiva do Tio Sam com reação pífia. Fico imaginando o que aconteceria se, encastelados nos seus postos de trabalho e evocassem justificativas ridículas (como, por exemplo, os Estados Unidos terem despejado ‘milhares de presos e pessoas de manicômios nos seus países” ou “serem responsáveis pelo aumento do tráfico de drogas”), Nicolas Maduro, Xi JiPing, Wladimir Putin, Ali Khamenei ou Kim Jong-Um tivessem oferecido uma recompensa de US$ 50 milhões pela captura de Donald Trump ou mandassem realizar bombardeios contra embarcações estadunidenses em mares próximos de territórios dos Estados Unidos (são muitos pelo mundo) sob a justificativa de combater o tráfico de drogas ou mandassem posicionar esquadras equipadas com armamento e milhares de soldados ou anunciassem a criação de uma cruzada para “executar ataques diretos e missões de eliminação de alvos classificados como parte da ‘rede narcoterrorista’ controlada por Donald Trump”.
Imagino o pandemônio que qualquer dessas iniciativas teria despertado na mídia mundial.
Ao que dizem por aí, a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela foi elaborado sob a coordenação do secretário de Estado Marco Rubio.
O Brasil espera que, como parte das negociações para remoção do tarifaço às exportações brasileiras, a Casa Branca não exija o apoio do governo Lula às suas ambições petrolíferas e geopolíticas. Na realidade, o Brasil deve se colocar ao lado da Venezuela, pois, se isso não ocorrer, o próximo pode ser ele [o Brasil].
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