Seja em obediência a pressões arbitrárias ou a manobras inteligentes, pouco a pouco, o conceito de Democracia vem sendo desvirtuado e, além das modulações próprias da formação política e sociológica de cada Povo, assume aspectos diversos daqueles que o moldaram originalmente, inclusive um [aspecto] que chega a alterar a própria definição (para muitos, Democracia deixou de ser uma ‘forma de governo’ [governo do povo, para o povo e pelo povo, conforme resumiu Abrahão Lincoln no famoso discurso de Gettysburg] e passou uma forma de ‘escolha de governo’ [bastando haver eleição para haver Democracia]).
Entre as alterações introduzidas pelas elites no conceito original, está a criação da chamada ‘Democracia Representativa’, um formato elitista no qual, ao invés de exercido diretamente pelo Povo, a instância passa a ser exercida por ‘representantes’ – figuras escolhidas ‘democraticamente’ pelo Povo, através de eleições.
Longe de reproduzir o modelo da Democracia direta pensando inicialmente, a Democracia Representativa obedece a lógica que rege as oligarquias e, naturalmente, atende aos anseios básicos das elites. Não ocorre sem razão, portanto, a crítica feita pelos setores populares ao formato da tal Democracia Representativa.
De qualquer forma, é a Democracia Representativa que vem regendo os países ditos democráticos e, com ela, o povo vai conviver ainda por muito tempo. Assim, para minimizar as suas falhas [as falhas da Democracia Representativa], há que se cuidar da lisura das eleições e da efetiva representatividade dos representantes.
Pois bem. Como vai ter seus destinos definidos no âmbito da Democracia Representativa, emerge a questão das ‘expectativas do eleitor’.
Inicialmente, o eleitor espera que o processo eleitoral seja limpo, isento de manipulações, de modo que (assim como deveria ocorrer na dinâmica econômica – ambiência na qual, segundo as mais puras das teorias, o consumidor é plenamente consciente, inclusive sobre os produtos alternativos), diante da nominata de candidatos, ele possa escolher aquele que melhor atende aos seus interesses.
Por outro lado, o eleitor espera que a ação do seu representante reflita exatamente aquilo que disse/prometeu em campanha.
Nesta perspectiva, o eleitor precisa ter condições de acompanhar o desempenho do seu representante, almejando o máximo de transparência dos processos e, claro, rejeitando a possibilidade de burlas e mumunhas como os ‘votos secretos’ e os ‘acordos de gabinete’.
A manipulação dos processos eleitorais – seja através da fraude das apurações, seja através das campanhas enganosas – e a desconexão do exercício dos mandatos com as promessas de campanha – desmoraliza a ‘Democracia Representativa’, justificando o crescimento dos pensamentos autoritários e antidemocráticos.
Aliás, com justa razão, ao observar o comportamento dos parlamentares brasileiros – que parecem ter olhos apenas para seus próprios interesses e, por isso, levam o Congresso Nacional a só legislar contra o Povo -, sem saber estar havendo uma deturpação da Democracia, muitos passam a pensar que, talvez, fosse melhor a experimentação de outras formas de governo. Isto é muito ruim e perigoso, pois, por mais carente de aperfeiçoamentos, a Democracia Representativa ainda é uma Democracia e, evidentemente, precisa ser protegida contra arroubos autoritários.
Há, no entanto, a necessidade urgente do expurgo da política dos aproveitadores e dos mentirosos, não só através da criação de mecanismos de moralização das campanhas eleitoras, penalizado o uso regular da mentira como instrumento regular de propaganda eleitoral, mas, também, da criminalização do estelionato eleitoral, situação na qual o mandatário atua em descompasso com aquilo prometido ao eleitor.
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