Os estrategistas sabem que, num gradiente que cresce segundo a intensidade, interesses e receios dão causa às alianças.
A máxima ‘nada mais eficaz para unir as pessoas do que um inimigo comum’ é famosa e, com a mesma pertinácia, poderia ser dita em relação às ‘vantagens mútuas’. Não é sem razão, portanto, a aliança entre as chamadas bancadas do boi, da bíblia e da bala (um trio ao qual, recentemente, se juntou a bancada das bets) – patotas de interesses díspares, mas unidas pela vontade de ganhar dinheiro a qualquer preço.
Nos dias correntes, fazendo e refazendo conexões inter-bancadas, observa-se no Congresso Nacional (especialmente na Câmara dos Deputados) a aliança do chamado Centrão (uma massa parlamentar disforme ideologicamente e adepta às negociatas capazes de render vantagens pecuniárias) com o Bolsonarismo (nome que, presentemente, vem sendo usado para designar a extrema-direita).
Embora seja efêmera e inconsistente (por se basear em vínculos transitórios), esta aliança é muito perigosa, pois, além de preterir projetos relevantes para o País (não é sem razão o escanteamento de matérias importantes, como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais, para posições subalternas na escala das prioridades do parlamento), pode produzir resultados de efeitos duradouros – é o caso, por exemplo, da PEC da Impunidade já aprovada na Câmara dos Deputados que, se convertida em Emenda Constitucional, vai fazer do Congresso Nacional uma espécie de paraíso da bandidagem.
É muito triste ver a política norteada por valores dissociados do interesse geral das comunidades. A formação de alianças como a BBBB e a Centrão-Bolsonarismo desqualifica a política como instrumento de busca do bem-estar social, tornando-a dispensável às comunidades. A banda pensante e consciente da sociedade precisa reagir e ampliar sua influência, pois o País não pode ficar à mercê de gente que só tem olhos para seus próprios umbigos.
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