A divulgação do resultado do primeiro turno da eleições presidenciais na Bolívia vem sendo usada pela mídia corporativa para mudar a história, tratando o passado recente do país como isento dos usuais golpes perpetrados pela extrema-direita sob os auspícios dos Estados Unidos.
Com efeito, ao noticiar a necessidade de um segundo turno entre o senador Rodrigo Paz Pereira e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, ambos de matiz conservadora e entreguista, a mídia corporativa vem enchendo a boca para afirmar que, ‘ao fim de uma grande crise econômica, o povo boliviano pôs fim a 20 anos de hegemonia da Esquerda’.
Uma mentira reluzente!
A realidade não é essa.
Em 2006, depois de uma campanha que empolgou as comunidades indígenas, o socialista Evo Morales assumiu a presidência e, em três mandatos consecutivos, revolucionou a Bolívia, fazendo tudo aquilo que a Direita não gosta – elevou o PIB do país, reduziu a pobreza extrema de 36,7% a 16,8%, reduziu o Coeficiente de Gini de 0,60 a 0,47, reduziu a dependência da Bolívia com o FMI, aumentou os impostos sobre a grande indústria de hidrocarbonetos para financiar políticas sociais de combate ao analfabetismo, pobreza, racismo e sexismo.
Aquilo tudo era demais para a Casa Branca e para as elites nacionais, que não suportavam a ideia de ver a Bolívia deixar de ser uma república de bananas e ver o povo boliviano sair da miséria e da pobreza.
Assim, em 2014, apesar da vitória eleitoral retumbante, a direita aplicou o golpe que impediu Evo Morales de exercer o quarto mandato.
E a ordem constitucional foi rompida.
O governo foi, então, exercido pela golpista Jeanine Áñez, uma senadora da Direita que, com o apoio de Washington, se autoproclamou presidente do país, dando início à jornada de retorno da Bolívia a seus tempos de república das bananas.
O povo ainda tentou reagir e, dois anos mais tarde, jogando a golpista Jeanine Áñez na cadeia (onde se encontra até hoje), elegeu Luis Arce, que, embora tenha sido afilhado de Evo Morales, não tem o seu talento.
De qualquer forma, o estrago já fora feito.
Agora, com Evo Morales, vítima do Lawfare e do ciúme dos antigos afilhados, fora das eleições, a Bolívia vai eleger um governo de Direita e em poucos anos, fazendo a festa de Washington e das elites, voltará a ser a república de bananas que sempre foi até Evo Morales chegar ao poder.
Assim, não acredite quando a mídia corporativa disser que está acabando 20 de hegemonia da Esquerda na Bolívia.
A Direita não consegue passar muito tempo sem, pelo menos, tentar um golpe de Estado.
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