Entre os principais alvos dos políticos e economistas de formação liberal está a previdência social. Com efeito, evocando a progressiva longevidade das pessoas como argumento, pensadores liberais chegam a enquadra-la [enquadrar a previdência social] no rol das ‘ameaças à Economia’ e, quase que obrigatoriamente, recomendam sua ‘Reforma’ – que, diga-se de passagem, se resume em aumentar o tempo de permanência dos trabalhadores na ativa e em reduzir os valores destinados aos aposentados e pensionistas.
E, neste embalo, por todo mundo, seguidos por vozes de todas as bocas, os líderes liberais parecem ter a ‘reforma da previdência’ como uma espécie de discurso-reserva mantido na prateleira das ideias-a-serem-colocadas (ou recolocadas) em discussão sempre que possível.
O interessante é que, embora reconheçam prontamente o efeito das vidas mais longas [nos cofres da previdência], estes formuladores nunca param para pensar no efeito do avanço tecnológico (seja através da robotização, automação, modernização dos procedimentos, etc.) na affair econômico – ora, se os trabalhadores em atividade recolhem taxas previdenciárias, por que as máquinas que os substituem e os desempregam também não recolhem?
Outro aspecto que jamais é pensado pelos formuladores das ‘reformas previdenciárias’ é o impacto positivo das injeções financeiras feitas pelos aposentados e pensionistas nos mercados locais, dinamizando o comércio, a indústria e o setor se serviços.
Será que os defensores das reformas da previdência já pararam para pensar no seu impacto negativo.
Não me refiro ao nível de satisfação das pessoas (este aspecto pouco importa aos que defendem as reformas previdenciárias).
Me refiro ao efeito provocado pela queda da renda dos aposentados e pensionistas no funcionamento dos mercados (menor volume de vendas, menor volume de encomendas à indústria, etc.).
Uma reforma da previdência não é tema tão simples e superficial como costumam pensar seus defensores. Se não forem formuladas com cuidado, além dos males causados naqueles que perdem renda, podem provocar grandes prejuízos à Economia.
Talvez seja hora de ao invés de propor malvadezas aos humanos, a sociedade deva impor taxas previdenciárias aos robôs.
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