O período estava produzindo bons frutos, mas o céu apresentava alguns sinais de tempestade.
Ontem, véspera da abertura da 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, provavelmente como tentativa de prejudicar o costumeiro sucesso alcançado por Lula em momentos como este, o governo dos Estados Unidos resolveu melar a expectativa do Itamaraty e, aprofundando o nível das hostilidades ao País, aplicou novas sanções a autoridades brasileiras – dessa vez, além de revogar o visto diplomático do advogado-geral da União Jorge Messias, a Casa Branca enquadrou a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, na Lei Magnitsky (na caça às bruxas estimulada por Eduardo Bolsonaro, os Estados Unidos já sancionaram os ministros do STF Alexandre de Moraes, Luis Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flavio Dino, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, o ex-procurador-geral da República José Levi do Amaral, o ex-ministro do STJ Benedito Gonçalves, o juiz auxiliar e assessor no STF Airton Vieira, o ex-assessor eleitoral Marco Antonio Martin Vargas e, ainda, o jurista Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, assessor especial de Alexandre de Moraes).
Habituado a trabalhar sob pressão, Lula não se abalou e, ainda na 2ª feira, em discurso em sessão das Nações Unidas sobre a questão nos territórios ocupados por Israel, perante vários chefes de Estado, acusou Benjamin Netanyahu de cometer genocídio contra a população palestina em Gaza.
E o tom do presidente Lula não arrefeceu.
Hoje, ao discursar na abertura da assembleia-geral da ONU, Lula botou para quebrar, sendo interrompido várias vezes por palmas entusiásticas, especialmente quando defendeu a democracia brasileira e a soberania nacional e condenou pressões externas e ataques às instituições do país, em claro recado ao presidente dos Estados Unidos.
Aí aconteceu o inesperado.
Ao descer do púlpito, em encontro fora das câmeras, Lula esbarrou em Donald Trump e, por vinte segundos, trocaram algumas palavras.
E veio o discurso do presidente dos Estados Unidos – uma torrente de baboseiras, grosserias e arrogâncias. Em belo momento, no entanto, Trump amenizou o discurso e, com o olhos enternecidos, confessou ter sido arrebatado por Lula: “Ele parece um homem muito agradável, e eu gosto dele e ele gosta de mim. Gosto de fazer negócios com pessoas que eu gosto. Quando eu não gosto, não gosto. Mas tivemos uma química excelente. Foi um bom sinal”, disse o presidente norte-americano.
Vinte segundos. Este foi o tempo que Lula precisou para encantar Donald Trump.
O episódio despertou reações imediatas. A bolsa de valores explodiu novo recorde. Ciro Gomes ganhou novos argumentos para dizer Lula é um ‘encantador de serpentes’. Com medo de voltar a ser seu ‘maior eleitor’, Ciro Nogueira reiterou que não quer conversar com Lula, ‘pois ele vai conseguir me dobrar nos dez primeiros minutos’. Nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro pensou no suicídio.
É cedo para se dizer o que vem por aí, mas não há mais dúvidas sobre o charme do presidente do Brasil.
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