Na 2ª feira, 28 de outubro de 2025, estarrecendo o mundo civilizado, o governo bolsonarista do Rio de Janeiro mobilizou 2.500 homens fortemente armados para ‘enfrentar o Comando Vermelho’ (CV) nas comunidades do Alemão e da Penha. Foi uma carnificina.
A chamada Operação Contenção deu um banho de sangue, matando 121 pessoas (algumas com requintes de perversidade, como deixaram claro os corpos degolados e os braços arrancados), ferindo milhares com alguma gravidade e provocando uma comoção pública nacional e internacional.
Passado o primeiro momento de surpresa com a dimensão da barbaridade, entusiasmados com a frieza do governador carioca Cláudio Castro – que alto e bom som, recusou qualquer respeito aos civis mortos ou às suas famílias, dizendo que as ‘únicas vítimas’ da Operação Contenção eram os quatro policiais mortos na ação -, os líderes da extrema-direita começaram a erguer a voz na defesa da matança, revivendo o bordão bolsonarista de que ‘bandido bom é bandido morto’.
A reação da extrema-direita ganhou corpo. Ao tempo que crescia o gosto por sangue e apoio à necropolítica de Cláudio Castro nas hostes bolsonaristas, em gesto inimaginável aos humanistas, deputados do Partido Liberal tentaram aprovar uma moção de apoio à matança ocorrida no Rio de Janeiro.
E, neste crescendo, em claro indicador de que provavelmente vão ocorrer outras operações sangrentas pelo País, sete governadores de direita – Cláudio Castro (RJ), Jorginho Mello (SC), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Eduardo Riedel (MS), Tarcísio de Freitas (SP) e Celina Leão (DF), vice-governadora do Distrito Federal – se reuniram para oficializar a criação de um tal ‘Consórcio de paz’, com o objetivo formal de integrar políticas de segurança e de inteligência entre os Estados.
Não há dúvidas de que a criação deste ‘Consórcio de paz’ se inspirou na sangrenta Operação Condor – uma campanha de repressão política e terror levada adiante pelas ditaduras de direita do Cone Sul no período entre 1975 e 1983, envolvendo operações de inteligência e assassinato de opositores políticos exilados.
Ávida por sangue, a extrema-direita brasileira quer reviver os tempos de chumbo e fazer da morte a motivação politica do seu discurso.
O momento é gravíssimo e, se este pessoal não for contido agora, poderá fazer do Alemão-Penha uma amostra daquilo que acontecerá pelo País.
Leia mais em
www.alexandresanttos.com.br
