Muito tem se falado nas negociações para a celebração de um acordo de paz no Leste Europeu. Muita fumaça, muita espuma, muito blá-blá-blá, mas, de concreto, pouca coisa.
Aquilo é uma coisa complicada desde o início do conflito – não se pode esquecer que a invasão da Ucrânia não precisava sequer ter ocorrido e decorreu, exclusivamente, da opção de o presidente Volodimir Zelenski de recusar a dar as garantias exigidas pela Rússia de não ter tropas e foguetes da OTAN na suas fronteiras.
De qualquer forma, a guerra (que sempre foi referida como uma ‘operação militar especial’ pela Rússia) começou e, evidentemente, se não fosse pelo apoio da União Europeia e dos Estados Unidos, considerando a superioridade das forças armadas russas, a Ucrânia não teria resistido dois ou três dias de enfrentamento.
Mas, submisso às ‘potências ocidentais’, Zelenski entregou a Ucrânia aos interesses ocidentais (interesses da União Europeia e dos Estados Unidos), contraindo enorme dívida e transformando seu país num monte de escombros.
Agora, por pressão do presidente estadunidense Donald Trump (que precisa liberar recursos para outras guerras, inclusive a invasão da Venezuela), busca-se um acordo de paz para a região.
Acontece que ‘desfazer’ esta guerra é tarefa mais difícil do que tê-la tornado essencial para os russos (que, para não começá-la, queriam apenas garantias de distância da OTAN).
Agora, além da distância da OTAN, a Rússia quer manter os terrenos ocupados na Ucrânia e substituir o governo de Volodimir Zelenski por um menos hostil.
De sua parte, além de uma ‘zona desmilitarizada’ na fronteira ocidental e da participação das suas empresas no esforço de ‘reconstrução’, os Estados Unidos e a União Europeia querem o garantir o ressarcimento dos recursos entregues à Ucrânia à título de ‘ajuda militar’ (quem vai pagar a dinheirama?
A Rússia (que, se não houvesse a intervenção de terceiros, venceria a guerra? A Ucrânia que foi convencida pelos banqueiros que venceria e receberia ‘reparações de guerra’ da Rússia?).
De sua parte, Volodimir Zelenski também tem exigências: ele quer garantias de que poderá desfrutar um exílio confortável em destino seguro, para o qual possa transferir as polpudas propinas recebidas da indústria armamentista a quem repassou as ‘ajudas militares’.
Se a Rússia concordar em obrigar a Ucrânia a pagar os empréstimos (usando a renda futura da exportação dos seus recursos naturais) e aceitar a participação de empresas estadunidenses e europeias na ‘reconstrução’ da Ucrânia, está resolvida a questão, pois as ‘exigências’ de Volodimir Zelenski não serão levadas em consideração.
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